Paolla Oliveira decidiu permanecer no Carnaval carioca e será apresentada como a nova Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense. A atriz havia recebido um convite para voltar à Grande Rio, agremiação que defendeu durante anos, mas optou por não aceitar. As informações são do Portal Leo Dias.
A oficialização está prevista para o próximo dia 18, quando a escola deve anunciar Paolla como sua nova representante à frente da bateria. A chegada acontece em um período de destaque para a Imperatriz, que tem vivido uma fase vitoriosa sob a direção artística de Leandro Vieira, carnavalesco responsável por trabalhos que unem referências tradicionais da agremiação a novas interpretações da cultura brasileira.
Leandro Vieira prepara novo desfile da Imperatriz
Em 2023, Leandro Vieira levou a Imperatriz para a Avenida com um enredo inspirado em Lampião, utilizando elementos da literatura de cordel e da cultura nordestina. O trabalho garantiu o título de campeã à escola e encerrou um período de 22 anos sem conquistar o Carnaval.
No Carnaval seguinte, em 2024, a agremiação apresentou “Com a Sorte Virada pra Lua Segundo o Testamento da Cigana Esmeralda”, abordando manifestações da cultura popular e tradições ligadas aos povos ciganos.
Já em 2025, a Imperatriz levou para a Sapucaí “Ómi Tútú ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón”, inspirado na mitologia iorubá e nas tradições de matriz africana.
Para 2026, o carnavalesco desenvolveu “Camaleônico”, uma homenagem a Ney Matogrosso. A proposta segue uma característica presente em seus trabalhos, que transformam personagens e referências da cultura brasileira em narrativas para o desfile.
A história recente da Imperatriz também é marcada por períodos de forte influência artística. A escola teve uma fase de destaque com Rosa Magalhães e agora atravessa outro ciclo importante sob o comando de Leandro Vieira. A trajetória da agremiação também passa pela família Drummond e por personalidades que participaram da construção da identidade da escola ao longo das décadas.
A chegada de Paolla Oliveira movimenta ainda mais a comunidade de Ramos. A atriz está entre os nomes de maior destaque entre as Rainhas de Bateria do Carnaval do Rio de Janeiro. Na atualidade, Viviane Araújo é frequentemente apontada como a principal referência do posto no Sambódromo.
O Enredo de 2027
No Carnaval de 2027, a Imperatriz Leopoldinense contará a história de Dona Júlia, uma boneca sagrada do Maracatu Porto Rico que desapareceu durante mais de 30 anos e foi reencontrada em circunstâncias cercadas por elementos religiosos e espirituais. O enredo será “A MEMÓRIA DO REI E O SUMIÇO DE DONA JÚLIA”, baseado na trajetória da calunga criada em 1967 por determinação de Eudes Chagas, babalorixá e rei do Maracatu Porto Rico, no Recife.
A peça foi confeccionada para representar a ancestralidade de Maria Júlia do Nascimento, conhecida como Dona Santa, “a rainha do maracatu elefante”, que morreu em 1962. A boneca tinha a função de carregar os axés espirituais dos integrantes do maracatu do bairro do Pina e ocupava uma posição sagrada dentro da tradição.
Em 1978, Dona Júlia foi retirada do grupo e encaminhada para um museu. Dois anos depois, em 1980, a instituição informou aos representantes do Maracatu Porto Rico que a boneca havia desaparecido. A agremiação reivindicava a posse da peça.
O paradeiro da calunga permaneceu desconhecido por 34 anos. Pouco antes do Carnaval de 2014, Dona Júlia foi encontrada em um terreiro de candomblé localizado em Olinda. Segundo o relato sobre o reencontro, um estudante havia deixado a boneca no local por acreditar que ela assombrava a residência onde estava.
A identificação ocorreu de maneira inesperada. Um babalorixá que buscava informações sobre o paradeiro da peça reconheceu Dona Júlia após assistir a uma reportagem exibida pela televisão pernambucana.
Depois de retornar ao Maracatu Porto Rico, a boneca passou pelos rituais de encantamento destinados às calungas que participam do Carnaval. O processo incluiu ebó, banho de ervas, alimentação no igbá e recolhimento no peji.
Após ser “encantada”, Dona Júlia voltou a participar do cortejo em um domingo de Carnaval. No dia seguinte, segunda-feira, a calunga foi levada ao Pátio do Terço para a Noite dos Tambores Silenciosos.
A trajetória da boneca, desde sua criação até o desaparecimento, o reencontro e os rituais de reiniciação espiritual, será o eixo da narrativa escolhida pela Imperatriz Leopoldinense para seu desfile de 2027.
