Nas últimas décadas, a indústria cinematográfica de Hollywood tem apostado muito na produção de reboots e remakes. Segundo dados do Internet Movie Database (IMDb), de 2021 a 2023, foram mais de 100 produções anunciadas, seja em desenvolvimento ou já lançadas, sendo a maioria delas estreando nos cinemas dos Estados Unidos ou diretamente nas plataformas de streaming.
Essa estratégia tem conquistado cada vez mais espaço como uma resposta ao aumento da concorrência digital e custos das superproduções cinematográficas, que são altos. Com isso, uma produção de uma história já conhecida funciona como uma forma de seguro criativo e financeiro para os grandes estúdios.




O custo das produções originais não é barato
Para uma empresa produzir filmes originais, é preciso entender os altos riscos envolvidos. Geralmente, a preocupação se dá por questões de orçamento, que podem ultrapassar os US$ 100 milhões. Por essa razão, errar na escolha do longa metragem pode representar um prejuízo significativo antes mesmo da estreia no cinema.
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Com o surgimento rápido das plataformas digitais como Netflix, Disney+, Max e Amazon Prime Video, a disputa pela atenção do público ficou ainda mais concorrida. Os estúdios tradicionais tiveram que encontrar alternativas para continuarem relevantes no mercado e conseguirem a atenção do público.
Ao mesmo tempo, há uma escassez de criatividade na indústria dos filmes. E a falta do senso criativo se torna ainda mais forte quando acompanhado da tendência conservadora em diferentes aspectos da vida contemporânea, incluindo a arte. Por isso, muitos desses projetos se apoiam na nostalgia do público que assistiu aos filmes originais nas décadas passadas, algo que torna a prática de reviver histórias de outras gerações um forte atrativo.
Quando o remake funciona (e muito)
Vale lembrar que nem todos os remakes são sinônimo de fracasso. Alguns deles realmente bateram recordes de bilheteria e conquistaram novos públicos. Isso mostra que a fórmula pode funcionar muito bem quando combinada com uma produção de qualidade e estratégias eficazes de divulgação.
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Por exemplo, O Rei Leão (2019), arrecadou US$ 1,6 bilhão mundialmente. Outros títulos da Disney, como A Bela e a Fera (2017) e Aladdin (2019), também ultrapassaram a marca do bilhão em arrecadação. Os números apontam que o público ainda está disposto a consumir versões novas de histórias já conhecidas.
Reboots e remakes trazem novas versões mais modernas
Os remakes e reboots nunca são iguais aos originais. Eles se diferenciam das primeiras produções por ter mais uso de tecnologia ou até mesmo pelos efeitos visuais, apesar de não serem iguais às continuações de filmes. Além disso, as obras costumam se diferenciar através do ritmo, de um elenco novo e de uma estética mais atual. Apesar de ter como base o filme original, as novas versões se adaptam ao gosto contemporâneo, buscando dialogar com o público mais jovem para conquistá-lo e respeitando mudanças culturais.
Um exemplo disso é o remake de Poltergeist, lançado em 2015. A refilmagem do mesmo título lançado em 1982 conseguiu apostar em novas tecnologias para satisfazer o público mais novo e os fãs da famosa história baseada em fatos. Na prática, essa recepção equilibrada conta muito para os estúdios, que buscam uma atualização da narrativa sem perder a verdadeira essência que tornou o longa um clássico.
Apesar de alguns fracassos, os remakes e reboots seguem em alta, seja filmes ou séries. Mesmo que não agradem a todos, o potencial de lucro e o menor risco envolvido nessas produções são suficientes para manter a tendência.
A visibilidade dos reboots e remakes também são favoráveis, visto que o público gosta de comentar nas redes sociais sobre os originais e criar debates em relação às mudanças das franquias. A prática pode ajudar na divulgação, embora seja algo que provoque uma divisão de opinião.
