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“Emilia Pérez”: por que favorito ao Oscar está gerando tanta polêmica?

Filme de Jacques Audiard acumula indicações ao Oscar, mas gera polêmicas por representatividade e desempenho de atrizes.
Emilia Pérez (Foto Reprodução Redes Sociais)

Emilia Pérez (Foto Reprodução Redes Sociais)

Desde sua estreia no Festival de Cannes de 2024, “Emilia Pérez” tem sido um dos filmes mais comentados do ano, provocando reações que variam entre admiração e críticas contundentes.

O musical em espanhol, dirigido pelo francês Jacques Audiard, conquistou 13 indicações ao Oscar, consolidando-se como uma das produções mais destacadas da temporada de premiações. No entanto, o longa também tem sido alvo de controvérsias, especialmente no México, onde se passa a trama.

Ambientado no México, o filme narra a história de Rita, uma advogada que trabalha para uma grande empresa, mais interessada em lucrar defendendo criminosos do que em servir à justiça. Ela é contratada por Manitas, líder de um cartel de drogas, que deseja abandonar o crime e passar por uma cirurgia de redesignação sexual para viver de acordo com sua identidade de gênero.

O elenco inclui nomes como Selena Gomez, Zoë Saldaña, Karla Sofía Gascón e Édgar Ramírez.

Apesar do sucesso em premiações, como o Globo de Ouro, onde Saldaña levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, o filme enfrentou críticas por sua abordagem em relação ao México.

Audiard admitiu não ter realizado pesquisas profundas sobre o país, o que gerou desconforto entre o público e a crítica local.

“Se algo em ‘Emilia Pérez’ parece escandaloso para vocês, peço desculpas. Mas quero dizer que não estou tentando dar respostas”, declarou o diretor durante uma entrevista na Cinemateca Nacional do México. “O cinema não oferece respostas, apenas levanta perguntas. Talvez as questões trazidas por ‘Emilia Pérez’ estejam erradas, mas eu as achei interessantes. Não quis, nem quero, ser pretensioso”.

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Outro ponto de discórdia foi a escolha do elenco, majoritariamente estrangeiro, e o desempenho de Selena Gomez, que interpreta uma das protagonistas. A atuação da cantora e atriz foi alvo de críticas duras, especialmente por parte do ator mexicano Eugenio Derbez e da apresentadora Gaby Meza.

“O espanhol não é sua língua primária, nem secundária, nem a quinta. E é por isso que sinto que ela não sabe o que está dizendo, e se ela não sabe o que está dizendo, ela não pode dar nenhuma nuance à sua atuação. […] Seu desempenho não é apenas pouco convincente, mas desconfortável”, afirmou Meza em um podcast. Derbez concordou, mas posteriormente se desculpou publicamente após Gomez responder às críticas.

“Querida Selena, peço desculpas sinceras pelos meus comentários descuidados – eles são indefensáveis ​​e vão contra tudo o que defendo. Como latinos, devemos sempre apoiar uns aos outros. Não há desculpa. Eu estava errado e admiro profundamente sua carreira e seu bom coração”, escreveu Derbez.

A diretora de elenco, Carla Hool, explicou que havia alertado Audiard sobre os sotaques de Gomez e Zoë Saldaña, ajustando o roteiro para justificar que os personagens não fossem mexicanos.

Apesar das polêmicas, o filme tem sido celebrado por sua ousadia e por trazer à tona discussões importantes, como a representatividade trans. Karla Sofía Gascón, que interpreta Manitas, fez história ao se tornar a primeira mulher trans indicada ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical.

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Estreia no Brasil

No Brasil, “Emilia Pérez” chega aos cinemas em 30 de janeiro de 2025, prometendo continuar gerando debates e emocionando o público.

Com uma narrativa envolvente e performances marcantes, o filme é, sem dúvida, uma das produções mais audaciosas do ano, mesmo que suas escolhas artísticas continuem a dividir opiniões.

alfinetei

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