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Lula anuncia linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço de Trump

Medida Provisória será assinada nesta quarta e prevê crédito, compras governamentais e abertura de novos mercados
Lula (foto Reprodução Redes Sociais)

Lula (foto Reprodução Redes Sociais)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que assinará uma Medida Provisória criando uma linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada a apoiar empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito durante entrevista ao programa “O É da Coisa”, da Rádio e TV Band News, na tarde de terça-feira, 12.

“Amanhã eu vou assinar uma medida provisória que cria uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para as empresas brasileiras que porventura tiverem prejuízos com a taxação do Trump. R$ 30 bilhões é o começo”, afirmou Lula.

Ao ser questionado pelo apresentador Reinaldo Azevedo sobre a possibilidade de usar compras governamentais como forma de reduzir os impactos das tarifas, o presidente confirmou a intenção. “Vai, vai, vai, vai ter. Então a gente vai ter crédito, compras governamentais e abertura de novos mercados. E vai ter (prioridade para) conteúdo nacional também, nas coisas que nós fabricamos aqui, porque nós vamos garantir a sobrevivência das empresas brasileiras, como eu acho que todos os outros países vão fazer um sacrifício enorme para as empresas deles.”

Medidas para proteger o setor produtivo

Lula destacou que a nova política de crédito deverá contemplar especialmente pequenos empreendedores e exportadores de produtos como frutas e mel. “Vai ter uma política de crédito que a gente está pensando em ajudar, sobretudo as pequenas empresas, o pessoal que exporta fruta, mel e outras coisas. Então, nós vamos aprovar amanhã e eu acho que vai ser extremamente importante para que a gente possa mostrar que ninguém fica desamparado por conta da taxação do presidente Trump”, afirmou.

O presidente também voltou a defender que as trocas comerciais entre os países do bloco BRICS sejam realizadas utilizando as moedas próprias de cada nação, sem a intermediação do dólar, o que, segundo ele, é uma das razões para a taxação norte-americana. “A gente não quer mexer com o dólar, o dólar é uma moeda importante, os EUA têm a máquina que roda essa moeda, mas nós podemos discutir nos BRICS a necessidade de uma moeda de comércio entre nós dos BRICS. Eu não recuo dessa ideia, porque é preciso testá-la”, disse.

Lula afirmou ainda que a medida de Trump terá efeitos negativos dentro dos próprios Estados Unidos. “Uma das coisas que eu acho é que o presidente Trump não pensou, embora ele diga que está juntando muito dinheiro, que os produtos taxados em todos os países do mundo vão aumentar os preços nos Estados Unidos. Não existe milagre. E a economia não tem milagre. Se fosse fácil, o mundo não tinha problema. Porque todo presidente pensa que é milagroso. E como não tem milagre e não tem mágica, a gente tem que trabalhar de acordo com a realidade. Eles não ficarão impunes, porque o povo americano vai sofrer. Trump vai sofrer as consequências dessa taxação. Aliás, para quem reclama, eu queria que você entrasse no site americano e procurasse uma picanha. Uma picanha hoje estava sendo vendida a 150 dólares.”

Mesmo diante das críticas, o presidente defendeu que a solução para o impasse passa pelo diálogo e pelo respeito mútuo. “Eu continuo preparado para negociar com os Estados Unidos. É importante os estados saberem. Se tem uma coisa que nós estamos é preparados para negociar. Eu não sei qual é a experiência de negociação do presidente Trump, mas eu, desde 1968, quando entrei no mundo sindical, eu aprendi a negociar. É importante que a gente converse, ele não precisa gostar de mim. Eu não preciso gostar dele, ele só tem que gostar do Brasil e eu gostar do povo americano. Se a gente respeitar o que a gente é, está de bom tamanho”, disse Lula.

Encerrando a entrevista, o presidente destacou que mantém uma relação próxima com o empresariado afetado pelas tarifas. “Eu trato eles (empresários) com o respeito que eu acho que eles merecem. Porque eles têm muita responsabilidade com a economia brasileira, com o crescimento do Brasil. Então, eu trato eles bem.”

alfinetei

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