O observatório europeu Copernicus anunciou que 2024 será o ano mais quente já registrado, superando pela primeira vez o limite de 1,5°C de aquecimento em relação ao período pré-industrial. Este marco reflete a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, que busca conter o aquecimento global abaixo de 2°C.
Após o segundo novembro mais quente da história, o Serviço de Mudança Climática (C3S) do Copernicus confirmou que a temperatura média global em 2024 ultrapassará 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Novembro, em particular, apresentou uma anomalia de 1,62°C, destacando o impacto crescente das mudanças climáticas.




A marca histórica de 1,5°C
Esse limite de aquecimento é uma referência do Acordo de Paris, que considera a média de longo prazo para determinar a ultrapassagem do marco. Apesar de 2024 atingir o limite, o aquecimento global está atualmente em 1,3°C, com projeções do IPCC indicando que o marco de 1,5°C será permanentemente alcançado entre 2030 e 2035.
Eventos extremos já intensificados pelo aquecimento têm resultado em secas históricas, tufões devastadores e impactos econômicos significativos, como as perdas globais estimadas em 310 bilhões de dólares em 2024, de acordo com a Swiss Re.
O impacto de El Niño e outros fatores
O fenômeno El Niño, combinado com o aquecimento de origem humana, levou as temperaturas a recordes em 2023, com reflexos ainda mais intensos em 2024. No entanto, climatologistas alertam para um arrefecimento mais lento do que o esperado, levantando a necessidade de novos estudos caso as temperaturas permaneçam altas em 2025.
Além disso, a redução de nuvens de baixa altitude e o derretimento recorde de gelo marinho na Antártica em novembro de 2023, segundo o Copernicus, agravam ainda mais o cenário climático.
Enquanto isso, as políticas globais para combater o aquecimento permanecem insuficientes, com previsões de aumento catastrófico da temperatura global de até 3,1°C até o final do século, caso medidas drásticas não sejam implementadas.
