Seis dias após a queda de um Antonov An-22 Antei, imagens chocantes começaram a circular nas redes sociais mostrando o exato momento do acidente. O cargueiro militar russo se partiu ao meio ainda em pleno voo, antes de atingir um reservatório na periferia de Ivanovo, a cerca de 250 km ao nordeste de Moscou.
O registro foi feito por um morador da região, pouco habitada, e revela a cauda da aeronave se desprendendo repentinamente atrás da asa. Em seguida, partes do avião despencam tanto na água quanto em áreas de terra firme. Os sete tripulantes a bordo morreram no acidente.
Inicialmente, informações apontavam que o avião estaria realizando um voo de teste após passar por reparos. No entanto, essa versão foi negada pela 308ª Fábrica de Reparos Aeronáuticos da Rússia, que afirmou que a aeronave não havia passado por manutenção recente.




Um colosso dos céus sob suspeita
Com a negativa oficial, surgiram especulações sobre uma possível sobrecarga, já que não houve incêndio antes da desintegração no ar. Até o momento, autoridades aeronáuticas russas não divulgaram qual era a carga transportada, e a investigação segue em andamento.
Desenvolvido durante a Guerra Fria, o An-22 foi uma resposta direta da União Soviética à necessidade de ampliar sua logística militar. O modelo, projetado para transportar tropas, veículos pesados e grandes volumes de carga, começou a operar nos anos 1960 e se destacou por sua capacidade de pousar em pistas precárias, inclusive em regiões remotas.
Quando entrou oficialmente em serviço, em 1969, o Antonov An-22 era o maior avião do mundo — título que manteve até o surgimento do Lockheed C-5 Galaxy. Mesmo décadas depois, seguia como a aeronave mais antiga do seu tipo ainda em operação nas forças armadas sob o comando de Vladimir Putin.
O acidente reacendeu críticas sobre a permanência do modelo em atividade. “A principal questão é por que o comando da Aviação de Transporte Militar insistiu em manter uma aeronave tão problemática em termos de manutenção da aeronavegabilidade?”, questionou o especialista em aviação Alexey Zakharov, de acordo com o “Sun”.
