Uma análise divulgada na sexta-feira (25/04) apontou que bonecas Labubu comercializadas internacionalmente contêm algodão proveniente de Xinjiang, região da China com importação vetada nos Estados Unidos, conforme regras ligadas a suspeitas de trabalho forçado. O estudo envolve produtos vendidos em diferentes mercados e levanta possíveis implicações legais para a fabricante. As informações são do The New York Times e do O Globo.
O sucesso global do Labubu, personagem com aparência de monstro e estética considerada fofa, impulsionou a expansão da empresa chinesa Pop Mart. Nos últimos anos, consumidores enfrentaram filas e pagaram valores elevados para adquirir versões raras do brinquedo.


Resultados do teste levantam questionamentos sobre cadeia produtiva
Exames laboratoriais identificaram algodão de Xinjiang em peças de roupa de parte das bonecas analisadas. A legislação americana proíbe a entrada de itens fabricados total ou parcialmente com matéria-prima dessa região, salvo comprovação de ausência de trabalho forçado.
Especialistas independentes avaliaram amostras adquiridas em diferentes canais de venda, incluindo grandes plataformas digitais e lojas oficiais. A maioria dos itens testados apresentou indícios de origem ligada à área restrita.
A empresa afirmou que abrirá apuração interna sobre a cadeia de fornecimento e declarou manter “os mais altos padrões”. A companhia também informou que apenas uma parcela reduzida dos produtos utiliza algodão e que estuda substituir o material em itens destinados ao mercado americano.
Organizações internacionais encaminharam dados às autoridades dos Estados Unidos responsáveis pela fiscalização de importações. Até o momento, não houve manifestação oficial sobre medidas específicas relacionadas ao caso.
A legislação em vigor desde 2021 determina restrições severas a produtos associados à região chinesa, com possibilidade de sanções amplas contra empresas que descumprirem as regras. Entre as punições previstas está a inclusão em listas que impedem a entrada de mercadorias no país.
O crescimento da marca ocorre em paralelo ao debate sobre direitos humanos em Xinjiang. Entidades e pesquisadores apontam práticas abusivas contra minorias étnicas, enquanto o governo chinês nega irregularidades e defende políticas locais como ações de desenvolvimento econômico e combate ao extremismo.
A popularidade do Labubu transformou o produto em símbolo recente da cultura pop chinesa. Ainda assim, possíveis restrições comerciais podem impactar a expansão internacional da marca e testar a aplicação das regras americanas em itens de grande apelo entre consumidores.
