Desde a última segunda-feira (23), medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Mounjaro e outros análogos ao GLP-1 só podem ser vendidos com retenção de receita médica. A norma foi estabelecida pela Anvisa e publicada no Diário Oficial da União no dia 16 de abril, com prazo de 60 dias para entrar em vigor. As informações são do g1.
Esses remédios, usados originalmente no tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, de obesidade, passaram a ser consumidos em larga escala para emagrecimento, mesmo sem recomendação médica. A agência identificou um crescimento de relatos de efeitos adversos associados ao uso fora das indicações autorizadas no Brasil.




Em média, 30% das prescrições de Ozempic foram para pessoas sem diabetes
Segundo dados da Anvisa, o Brasil apresenta mais notificações de reações adversas relacionadas ao uso off-label desses medicamentos do que outros países. A decisão foi tomada após análise de farmacovigilância e contou com apoio do Conselho Federal de Medicina.
Um estudo apresentado à Anvisa por Thamires Capello, pesquisadora da USP, revelou que 45% dos usuários compraram o medicamento sem prescrição, e 73% nunca tiveram orientação profissional. O levantamento mostra ainda que mais da metade usou a medicação apenas para emagrecer.
A Receita Federal também identificou um aumento no contrabando desses produtos. Em apenas duas apreensões no Aeroporto Internacional do Recife, foram confiscadas mais de 600 canetas. No total, houve mais de 350 apreensões em aeroportos do país só neste ano.
Cristina Schreiber, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que o uso sem acompanhamento pode causar desnutrição, perda de massa muscular, queda de cabelo e deficiência de vitaminas.
O médico nutrólogo Noé Alvarenga afirma que o uso sem orientação pode provocar perda de eficácia ao longo do tempo e resultar em reganho de peso após a interrupção. Segundo ele, sem supervisão, a massa magra é reduzida de forma irreversível.
Samara Rodrigues, endocrinologista do Grupo Valsa e membro da Abeso, ressalta que o uso off-label cresceu no Brasil e cita uma pesquisa da IQVIA que mostrou aumento de 41% nas prescrições para emagrecimento em 2022. Ela alerta para possíveis efeitos colaterais, como problemas gastrointestinais, risco de pancreatite e disfunções da tireoide.
De acordo com um estudo publicado na revista Diabetes Care, cerca de 30% das prescrições de Ozempic em 2021 foram feitas para pessoas sem diabetes. Em nota, a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, informou que “compartilha das mesmas preocupações da Anvisa quanto ao uso irregular de medicamentos”.
