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Cardápio Mounjaro: pratos menores ganham espaço com avanço de remédios que reduzem o apetite

Restaurantes adaptam porções e preços para atender clientes que consomem medicamentos como Ozempic e Wegovy
Cardápio Mounjaro: pratos menores ganham espaço com avanço de remédios que reduzem o apetite

Restaurantes passaram a oferecer menus com porções reduzidas para acompanhar a mudança nos hábitos alimentares de parte da população que utiliza medicamentos que diminuem o apetite, como Ozempic e Wegovy, segundo apuração divulgada nesta terça-feira (23). A iniciativa inclui pratos menores e bebidas em quantidades limitadas, com valores mais baixos, como forma de manter a experiência social fora de casa. As informações são da AFP e do O Globo.

A tendência se fortaleceu a partir da percepção de que clientes passaram a consumir menos durante refeições fora de casa, o que motivou ajustes em cardápios tradicionais e na oferta de brunches e combos em diferentes bairros da cidade.

Adaptação acompanha uma transformação no comportamento alimentar

Lina Axmacher, sueca de 41 anos que trabalha no setor de tequila e mora em Nova York há duas décadas, relatou à AFP mudanças significativas após iniciar o uso do medicamento. A perda de apetite afetou preferências pessoais, incluindo “meu desejo por coquetéis, sobremesas e qualquer coisa doce”, além da redução de mais de nove quilos em menos de dois meses. Ainda assim, segundo o relato, “eu ainda queria manter meu estilo de vida social e participar de jantares”.

Um dos locais citados foi o Le Petit Village, em Manhattan, que passou a oferecer versões menores de pratos para atender clientes que utilizam medicamentos da classe GLP-1 e preferem sair para comer sem consumir grandes quantidades. O restaurante também reduziu parte do cardápio de brunch, com itens como rabanada e tartine de salmão defumado.

Dados da organização KFF indicam que cerca de um em cada oito adultos nos Estados Unidos utiliza atualmente medicamentos agonistas de GLP-1, enquanto um em cada cinco afirma já ter feito uso de produtos como Ozempic ou Wegovy em algum momento, inclusive para controle de doenças crônicas como diabetes.

Na segunda-feira, a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk informou que autoridades americanas aprovaram a versão em comprimidos do Wegovy para perda de peso, o que pode ampliar o acesso ao tratamento e intensificar os impactos no setor de alimentação fora do lar.

Aristotle Hatzigeorgiou, proprietário do Clinton Hall, rede com cinco unidades em Nova York, afirmou ter observado mudanças no comportamento do público. “Eu saía para comer e via as pessoas comendo muito menos, dando apenas uma mordida na comida e um gole na bebida, e só”, declarou. O empresário também destacou o aumento do descarte de alimentos, definido como “uma quantidade enorme de desperdício”.

Como resposta, o Clinton Hall criou a chamada “mini refeição”, que inclui hambúrguer reduzido, pequena porção de batatas fritas e uma bebida à escolha, entre cerveja de 90 ml, martini ou taça de vinho. A proposta convive com opções mais calóricas do cardápio, como “sanduíche de queijo grelhado com donut” e “hambúrguer de fondue”, e tem atraído tanto clientes focados em emagrecimento quanto pessoas que buscam economizar.

Segundo Hatzigeorgiou, a pressão financeira causada pelo aumento de aluguéis e da inflação também influencia a aceitação do formato. Oferecer “uma opção mais barata para sair”, conforme relatado, “tem funcionado”.

Especialistas observam que o custo elevado dos medicamentos ainda limita o acesso, embora haja expectativa de redução de preços no futuro. Pesquisadores também analisam os efeitos culturais do uso ampliado desses produtos. Marion Nestle, professora emérita de nutrição da Universidade de Nova York, questionou se a relação com a comida passa a ser negativa e avaliou que ainda não existe conclusão definitiva. Para a pesquisadora, trata-se de “um vasto experimento humano”.

Axmacher relatou que utiliza o medicamento de forma intermitente e que, ao interromper o uso, sentiu vontade de recuperar sensações perdidas. “Eu estava pronta para sentir que podia aproveitar um pouco mais a vida. Eu gosto da sensação de fome e satisfação quando posso comer algo que me dá vontade”, afirmou, acrescentando que, durante o tratamento, “senti falta disso.” Ao mesmo tempo, a experiência contribuiu para hábitos considerados mais sustentáveis, como redução do consumo de álcool, prática de exercícios e maior atenção à ingestão de proteínas.

Representantes do Le Petit Village informaram que avaliam ampliar o menu de porções reduzidas para o jantar, enquanto o Clinton Hall desenvolve uma versão da mini refeição com frango. Alguns clientes comentaram que “era assim que as refeições costumavam ser”. Para Hatzigeorgiou, “achamos que é algo diferente, mas talvez não seja tão diferente assim” e que “talvez seja a porção ideal”.

alfinetei

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