O jornalista investigativo e ex-policial britânico Mark Williams-Thomas, conhecido por sua atuação em casos de grande repercussão no Reino Unido, afirmou que o caso Madeleine McCann deveria ser entregue a uma inteligência artificial (IA). Segundo ele, após quase duas décadas de erros, disputas e gastos milionários entre forças policiais de três países, já está claro que os humanos não conseguem cooperar nem chegar a um consenso.
Em entrevista ao tabloide Daily Star, Williams-Thomas, de 55 anos, acusou as polícias do Reino Unido, Alemanha e Portugal de manterem uma relação “pouco colaborativa” e “carregada de egos”. “A IA seria muito útil no caso Madeleine, especialmente se envolvesse todas as forças policiais dos três países. Elas não se dão bem e não compartilham informações. Se todos os dados fossem reunidos e processados por uma IA, seria revelador o que ela poderia identificar”, declarou o ex-policial, que trabalhou por anos no condado de Surrey.
De acordo com Williams-Thomas, o uso da tecnologia poderia abrir novas linhas de investigação e até apontar suspeitos desconhecidos. Para ele, o maior obstáculo não é técnico, mas humano: a relutância das forças policiais em admitir falhas e mudar de direção. “É muito difícil para um investigador sênior admitir que talvez tenha se enganado. Essa é uma falha da mente humana. A maioria das pessoas tem dificuldade em reconhecer um err”, afirmou.

O ex-policial explicou ainda que, em investigações longas e complexas como a de Madeleine, é comum que os investigadores fiquem presos a uma única hipótese, mesmo quando surgem provas que a contradizem. Ele acredita que uma IA, ao processar os dados de forma neutra, poderia enxergar padrões ignorados pelos humanos.
O mistério que ainda intriga o mundo
O desaparecimento de Madeleine McCann, então com três anos, ocorreu em maio de 2007, quando a menina sumiu do apartamento onde estava hospedada com a família, na Praia da Luz, em Portugal. O caso mobilizou a imprensa internacional e até hoje não foi solucionado.
O principal suspeito é o alemão Christian Brueckner, de 47 anos, que já foi condenado por estupro na mesma região onde Madeleine desapareceu. Apesar de as autoridades alemãs afirmarem ter “convicção” de que ele é o responsável pelo crime, Brueckner foi libertado da prisão em setembro deste ano, após cumprir seis dos sete anos de pena.
