Um novo estudo mostra que a maioria dos brasileiros ainda não consegue reconhecer quando está assistindo a um vídeo gerado por IA, apesar do rápido progresso dessas tecnologias no dia a dia. Realizada pelo Projeto Brief entre 25 e 29 de abril de 2026, a pesquisa entrevistou 2.483 indivíduos em todo o país por meio das redes sociais, com o objetivo de compreender como diferentes faixas etárias lidam com conteúdos sintéticos no cotidiano.
Apesar do uso intensivo de inteligência artificial, com 58,4% dos entrevistados utilizando ferramentas de IA regularmente, a pesquisa revelou uma preocupação: 54,2% dos participantes não conseguem diferenciar um vídeo gerado por IA de uma gravação real. Isso demonstra o progresso da tecnologia em relação à percepção humana dos conteúdos digitais.




USOS MAIS COMUNS E OTIMISMO COM A TECNOLOGIA
Entre os usos mais comuns da IA no cotidiano dos entrevistados estão tirar dúvidas (56,8%), estudar e pesquisar (54%) e criar imagens ou vídeos (44%). O otimismo também é alto entre os usuários, já que 42% se declaram muito animados com o avanço da tecnologia, enquanto outros 26,2% dizem se sentir esperançosos com as possibilidades trazidas pela inteligência artificial no futuro.
Os principais usos da ferramenta entre os entrevistados, segundo o levantamento, são:
- Tirar dúvidas do cotidiano: 56,8%
- Estudar e pesquisar: 54%
- Criar imagens ou vídeos: 44%
Já o sentimento dos entrevistados em relação ao avanço da IA se divide assim:
- Muito animados com a tecnologia: 42%
- Esperançosos com as possibilidades: 26,2%
TESTE COM DEEPFAKE DE LULA EXPÕE DIFICULDADE DE IDENTIFICAÇÃO
O desafio de identificação ficou evidente quando os participantes foram expostos a um deepfake do presidente Lula durante a pesquisa, criado especialmente para testar a percepção dos entrevistados sobre conteúdo sintético. Veja como os entrevistados reagiram ao conteúdo manipulado apresentado pelos pesquisadores do Projeto Brief durante o levantamento:
- Identificaram corretamente que era um vídeo de IA: 39,5%
- Acreditaram se tratar de um vídeo autêntico e real: 37,7%
- Não souberam dizer qual era a origem do conteúdo: 22,8%
Para a antropóloga Carol Luck, especialista em comportamento digital e coordenadora do Projeto Brief, o uso responsável é o que define o real impacto da tecnologia na sociedade. Segundo ela, criar um vídeo falso e convincente de qualquer pessoa, incluindo figuras públicas e políticos, está hoje ao alcance de praticamente qualquer pessoa com acesso a ferramentas de IA generativa.
“Vivemos um momento em que criar um vídeo falso e convincente de qualquer pessoa, inclusive de figuras públicas e políticos, está ao alcance de qualquer um”, afirma a especialista.
O estudo também identificou um efeito colateral da dificuldade de identificação: a desconfiança em relação a conteúdos verdadeiros. Quando expostos a uma produção autêntica, parte dos entrevistados afirmou, de forma equivocada, que se tratava de um vídeo de IA, o que reforça a urgência de medidas que ajudem a sociedade a lidar com esse novo cenário de incerteza digital. Veja os principais números:
Acreditaram, de forma equivocada, que um vídeo real era de IA: 33,9% Apoiam a criação de limites legais para uso de IA na política: 88,3%
