A Anvisa decidiu que, desde a última quinta-feira (16), farmácias precisam reter a receita médica na venda de medicamentos como Ozempic e similares. A medida busca reforçar o controle sobre o uso dos emagrecedores, especialmente diante do aumento da procura por esses produtos para fins estéticos.
Antes da mudança, bastava apresentar apenas a receita na hora da compra. Agora, ela será recolhida e armazenada no estabelecimento. A decisão foi tomada por unanimidade durante uma reunião da diretoria colegiada da agência. Segundo a Anvisa, a retenção da receita é uma forma de proteger a saúde coletiva e combater o “consumo irracional” desses medicamentos.





Uso indiscriminado preocupa entidades médicas
Medicamentos como Ozempic, Saxenda e Wegovy foram criados para o tratamento de diabetes tipo 2, mas se tornaram conhecidos por seus efeitos na perda de peso. Ainda assim, o uso sem indicação médica pode trazer riscos à saúde, como náuseas, distensão abdominal, constipação ou diarreia, além de possíveis impactos em transtornos psicológicos e alimentares.
A decisão da Anvisa acompanha o alerta de especialistas. No fim de 2023, as sociedades brasileiras de Endocrinologia e Metabologia e de Diabetes divulgaram uma carta aberta em defesa da retenção da receita para medicamentos conhecidos como agonistas de GLP-1, os mesmos usados nas canetas emagrecedoras.
As entidades destacam que o uso sem controle pode prejudicar o acesso dos pacientes que realmente precisam dos tratamentos. A Novo Nordisk, responsável por fármacos como Ozempic, Saxenda, Victoza e Xultophy, afirmou que recebe “com naturalizade” a decisão da Anvisa. A empresa ressaltou que “a decisão da agência não tem relação com a segurança e eficácia dos medicamentos a base de GLP-1 registrados no Brasil”.
Ainda segundo a farmacêutica, “a Novo Nordisk reitera a confiança na qualidade de seus tratamentos, presentes no Brasil ha 14 anos e aprovados pela agência sanitária brasileira”. A empresa também destacou que “compartilha das mesmas preocupações da Anvisa quanto ao uso irregular de medicamentos e fora de indicação em bula, e reforça que a segurança do paciente e seu principal compromisso”.
