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Crianças acessam a internet cada vez mais cedo, aponta estudo

Uso de redes sociais e de inteligência artificial cresce entre os jovens
Criança (Foto Reprodução Redes Sociais)

Criança (Foto Reprodução Redes Sociais)

Na quarta-feira (22), o levantamento Tic Kids Online Brasil 2025 revelou que o acesso precoce de crianças à internet está se tornando cada vez mais comum e que 65% dos jovens entre 9 e 17 anos já utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa para buscar informações, estudar ou até conversar sobre sentimentos. O estudo foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, em parceria com a Unesco, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e o Comitê Gestor da Internet no Brasil. As informações são do g1.

A pesquisa indica que 92% das pessoas de 9 a 17 anos usam a internet no país, o que representa cerca de 24,5 milhões de crianças e adolescentes. A proporção é semelhante à do levantamento anterior. Entre as regiões, o Sul apresenta o maior índice de acesso, com 96%, enquanto o Norte registra 85%. Nas classes A, B e C, o uso é de 96%, dez pontos percentuais acima das classes D e E, com 87%.

Desigualdade de acesso e início cada vez mais precoce

Segundo a coordenadora do levantamento, Luisa Adib, a última década trouxe avanços na inclusão digital por idade e região. Crianças e adolescentes das classes D e E alcançaram patamar próximo a 90% de presença online. No entanto, ainda existe disparidade quanto à qualidade da conexão e ao tipo de dispositivo usado. “Por exemplo, 30% das classes D e E acessam a internet exclusivamente pelo celular, então as classes A e B têm variedade maior de acesso, o que impacta na diversidade de atividades que podem desenvolver e nas habilidades que podem desenvolver também”, afirma a pesquisadora.

Em 2016, apenas 10% dos jovens faziam o primeiro contato com a internet até os 6 anos. No levantamento atual, o índice subiu para 28%, o que demonstra uma inserção digital cada vez mais precoce. O estudo também mostra que 78% utilizam o celular várias vezes ao dia, enquanto 37% assistem à televisão com a mesma frequência. Apenas 9% usam computador diariamente.

Outro dado relevante é a redução no número de jovens com celular próprio, que passou de 81% para 77%. Entre os entrevistados de 9 a 10 anos, a queda foi de doze pontos percentuais, e entre os de 11 a 12 anos, de dez pontos.

Luisa Adib destaca que a mudança pode estar relacionada aos debates recentes sobre a proteção de menores na internet e à aprovação do “ECA Digital”, que reforça normas de segurança online. “As recomendações de profissionais que advogam pela proteção é que os 13 anos sejam a idade para o início da posse de celular”, comenta. Segundo a pesquisadora, o debate público e casos de exposição infantil nas redes sociais podem ter influenciado a decisão de muitas famílias.

O levantamento também apontou que 84% dos usuários acessam a internet em casa várias vezes ao dia, enquanto 12% fazem isso diariamente na escola.

A professora Raquel Mota, de Minas Gerais, afirma que a filha, Amanda, de 14 anos, começou a usar a internet aos 9 e hoje passa “de sete a oito horas por dia na rede”. Já a empreendedora Yzi Sáturnino, mãe de Maria Eduarda, de 12 anos, relata que monitora de perto o uso digital da filha. “Ela não possui perfil nominal no Instagram ou Facebook, porque não autorizo essa exposição, mas ela foi autorizada a usar o TikTok porque gosta de assistir a vídeos engraçados”, explica Yzi.

Maria Eduarda utiliza ferramentas de IA, como o ChatGPT, para estudar e pesquisar. “Embora não use como suporte psicológico, ela recorre à ferramenta para interpretar o significado do seus sonhos e pesquisar símbolos astrológicos”, acrescenta a mãe.

Uso da inteligência artificial e comportamento digital

A edição 2025 do levantamento questionou pela primeira vez o uso de IA generativa por jovens. Os dados mostram que 65% dos usuários entre 9 e 17 anos já recorreram à tecnologia. Desses, 59% utilizam para fins escolares, 42% para busca de informações, 21% para criação de conteúdo e 10% para conversar sobre emoções.

Pedro Henrique Moraes de Oliveira, de 16 anos, começou a usar a internet aos 10 e passou a adotar a inteligência artificial em seus estudos e reflexões pessoais. O pai, Luciano Oliveira, supervisiona o uso e considera importante equilibrar tempo e conteúdo. “Ele já conversou com inteligência artificial algumas vezes, principalmente para aprender coisas novas e tirar dúvidas”, relata. O responsável afirma que o acesso é permitido apenas após o cumprimento das tarefas diárias, o que ajuda a evitar o uso excessivo.

Para a coordenadora Luisa Adib, o uso da IA entre os jovens deve ser debatido com base na adequação à idade. “A gente pode considerar que essas ferramentas estão disseminadas. Agora, a gente passa a investigar esse tipo de interação, inclusive em relação à saúde, não só de busca de informações sobre a saúde, mas de questões emocionais”, pontua.

De modo geral, 81% dos entrevistados utilizam a internet para trabalhos escolares e 70% para pesquisar temas de interesse. O estudo ainda mostra que 48% acessam notícias online, 33% produzem vídeos, músicas ou imagens, e 20% escrevem e publicam ideias na web.

Entre os jovens de 9 a 17 anos, 46% afirmam assistir a vídeos de influenciadores digitais mais de uma vez por dia, e 35% consomem séries e filmes diariamente. O WhatsApp é o aplicativo mais usado, seguido por YouTube, Instagram e TikTok.

A pesquisa entrevistou 2.370 jovens e o mesmo número de pais ou responsáveis, entre março e setembro de 2025.

alfinetei

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