Skip to content

Entenda a escalada na crise do metanol, com mortes suspeitas chegando a outros lugares do país

Mortes suspeitas por metanol chegam a cinco no estado paulista, enquanto Pernambuco investiga três casos ligados à substância; Polícia Federal abre inquérito próprio.
Entenda a escalada na crise do metanol, com mortes suspeitas chegando a outros lugares do país

Nesta terça-feira (30), a crise de intoxicação por metanol se intensificou, com o número de mortes suspeitas subindo para cinco no estado de São Paulo, além de casos sendo investigados no Nordeste. Em Pernambuco, autoridades de saúde apuram dois óbitos e um terceiro caso de perda parcial da visão, todos ligados à provável ingestão da substância. Em resposta à onda de intoxicações, autoridades paulistas interditaram três estabelecimentos e fecharam uma fábrica clandestina. Além disso, a Polícia Federal (PF) abriu um inquérito próprio para investigar a rede de distribuição do produto adulterado. As informações são do Extra.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os casos de contaminação por metanol registrados em São Paulo no mês de setembro equivalem à metade da média anual de todo o país. O ministro Alexandre Padilha classificou o panorama atual como “uma situação anormal”, que contraria a série histórica usualmente associada a pessoas em situação de rua ou suicídio. Até terça-feira, São Paulo somava 22 casos envolvendo intoxicação por metanol, sendo sete confirmados e 15 em investigação.

Autoridades investigam conexões e ampliam fiscalização

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou a criação de um gabinete de crise para enfrentar o problema. O governador Tarcísio de Freitas disse que, nas investigações em curso, as pessoas que estão trabalhando na adulteração nas destilarias clandestinas “não têm relação com o crime organizado e que não têm relação entre si”.

Apesar da declaração, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, aventou a possibilidade de conexão com atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC). O diretor-geral Andrei Rodrigues relembrou que o metanol foi usado para adulterar produtos comercializados nos postos de gasolina sob influência da facção, alvo da Operação Carbono Oculto no último mês. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que “Tudo indica que há uma distribuição para além do estado de São Paulo, o que atrai a competência da PF”.

À noite, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco comunicou que apura três casos suspeitos de intoxicação por metanol, envolvendo dois homens que morreram e um terceiro que perdeu parte da visão. Os casos ocorreram em Lajedo e João Alfredo. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) já iniciou a preparação de ações de fiscalização em distribuidoras de bebidas alcoólicas.

Interdições e o clima de temor em são paulo

A escalada da crise gerou um clima de temor em São Paulo, com alguns comerciantes se negando a servir bebidas destiladas. Clubes esportivos tradicionais como o Esporte Clube Sírio, Clube Hebraica, Clube Athlético Paulistano e Clube Atlético São Paulo (SPAC) suspenderam integralmente a venda de destilados. O Clube Hebraica publicou nas redes que a medida é uma precaução para “zelar pela saúde e segurança de sócios e visitantes”.

Na terça-feira, uma ação conjunta que envolveu a Polícia Civil e as vigilâncias sanitárias municipal e estadual suspendeu as atividades de três estabelecimentos. Um deles é o bar Ministrão, nos Jardins, onde a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, ingeriu caipirinhas com vodca e, posteriormente, perdeu a visão. Um segundo bar no bairro da Mooca e um endereço em São Bernardo do Campo também foram interditados.

A Polícia Civil também cumpriu três mandados de busca e apreensão em Americana, onde uma fábrica clandestina funcionava. No local, mais de 18 mil itens foram apreendidos, embora a polícia não tenha localizado metanol entre as substâncias. Dois homens foram presos por pirataria e responderão por crimes contra as relações de consumo, a saúde pública e a propriedade material.

No setor de saúde pública, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Universidade de Campinas (Unicamp) alertou para o risco de faltar antídotos para o metanol. O tratamento exige etanol puro, fomepizol ou, em casos graves, hemodiálise. Fabio Bucharetti, coordenador do CIATox, explicou a dificuldade. Fabio Bucharetti disse: “— Pouca gente tem estoque em hospital. Muitas vezes a alternativa é utilizar uma bebida destilada por sonda até ter o antídoto. É o que recomendamos em algumas situações”.

alfinetei

A página @alfinetei foi criada há cerca de 10 anos com o propósito de proporcionar entretenimento através de uma abordagem humorística, especialmente focada em comentários sobre celebridades e fofocas.