Uma rede de falsas plataformas de apostas promete retornos de até R$ 3.000 a partir de depósitos de R$ 20 a R$ 30, mas bloqueia o saque por meio da própria programação dos sites, segundo investigação da ZenoX, empresa brasileira de cibersegurança.
O estudo, chamado Saque Fantasma, identificou uma estrutura que simula uma casa de apostas, mostra ao usuário um saldo aparentemente disponível e, no momento do saque, exige um novo pagamento de R$ 30 para liberar o dinheiro.




A análise do código mostrou que, em determinadas condições, o próprio navegador do usuário fabrica o QR Code usado para a cobrança e o sistema não consegue confirmar o pagamento da taxa.
Em uma das bases analisadas, a ZenoX encontrou 415 contas de usuários e 231 transações de depósito.
Destas, 92% estavam na faixa de R$ 20 a R$ 30 e 68% permaneciam com status pendente, sem devolução. O painel interno da plataforma registrava R$ 107.519 em saldo acumulado entre as contas desde dezembro de 2025.
Outra plataforma relacionada à operação, identificada como NEWWBET7K, tinha uma base com mais de 3.600 contas. Nela, os pesquisadores encontraram nomes, emails e telefones de usuários expostos.
A investigação identificou três domínios como parte da mesma operação: MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K. Segundo a ZenoX, os sites compartilham elementos de aplicação, infraestrutura, funcionamento e mecanismo de cobrança. A identidade civil dos responsáveis, porém, não foi confirmada pelo estudo.
O esquema ocorre em meio à proibição das bets no país, decretada pelo governo no dia 25 de setembro. Antes da medida, somente empresas autorizadas pela SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) podiam operar nacionalmente, e os sites autorizados utilizavam o domínio “.bet.br” algo não seguido pelas plataformas analisadas pelo estudo.
COMO FUNCIONA O GOLPE
A porta de entrada são redes sociais. Segundo o relatório, uma das abordagens coletadas no Instagram orientava o usuário a entrar em um link, fazer um cadastro, depositar R$ 20 e enviar o comprovante e a chave Pix em troca de R$ 2.000.
A investigação também encontrou uma conta de TikTok relacionada ao esquema com mais de 126 mil seguidores e 2,5 milhões de curtidas. A operação utilizava Instagram e Telegram para divulgação e suporte.
