Familiares de vítimas do trágico acidente aéreo da Air India, ocorrido em 12 de junho, descobriram que os restos mortais repatriados ao Reino Unido não pertenciam a seus entes queridos. A revelação veio após análises de DNA conduzidas pela legista britânica Fiona Wilcox, que identificou trocas de corpos em ao menos dois casos confirmados. Um dos funerais precisou ser cancelado quando os familiares foram informados de que o corpo dentro do caixão não era do parente. Em outro, mais de uma vítima foi encontrada no mesmo recipiente.
Embora a maioria das vítimas tenha sido cremada na Índia, pelo menos 12 das 261 pessoas que perderam a vida na tragédia, sendo 52 delas cidadãs britânicas, tiveram seus restos mortais enviados ao Reino Unido. A possibilidade de outros erros semelhantes ainda não foi descartada pelas autoridades britânicas, que estão conduzindo investigações conjuntas com o governo indiano.




O voo AI171, que partiu de Ahmedabad rumo ao Aeroporto de Gatwick, em Londres, caiu poucos segundos após a decolagem, quando o Boeing 787 Dreamliner perdeu potência. A bordo, 241 pessoas morreram instantaneamente, e outras 38 perderam a vida em solo. A operação de resgate mobilizou forças locais de polícia, bombeiros e unidades especializadas em desastres. Os corpos foram encaminhados ao Hospital Civil de Ahmedabad, onde as identificações começaram por DNA e, em alguns casos, por registros odontológicos devido ao estado dos corpos.
James Healy-Pratt, advogado britânico que representa parte das famílias envolvidas, relatou que uma das vítimas teve os restos confundidos com os de outra pessoa, mas, após exames, foi identificada corretamente e enterrada. Já os parentes da segunda vítima enfrentam uma dor ainda maior. “Eles não têm ninguém para enterrar, porque a pessoa no caixão não era seu familiar. E, se não é parente deles, quem está naquele caixão? Presume-se que é outro passageiro, cujos familiares também receberam os restos errados”, afirmou Healy-Pratt ao Daily Mail.
No dia 28 de junho, autoridades indianas haviam anunciado que todos os corpos haviam sido formalmente identificados. No entanto, a investigação aberta por Índia e Reino Unido aponta falhas no processo de reconhecimento e transporte. A expectativa é de que o tema seja discutido pessoalmente entre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o líder indiano, Narendra Modi, durante a visita oficial do premiê indiano ao Reino Unido nesta semana.
Relatório preliminar traz novos detalhes da tragédia
Um relatório inicial sobre a queda da aeronave, divulgado em 11 de julho, revelou que os interruptores de combustível dos motores foram colocados em posição de corte pouco antes do impacto. Segundo o documento, não há ainda uma explicação conclusiva, mas na gravação de voz da cabine, um dos pilotos questiona o outro sobre o desligamento do combustível. O colega responde que não havia feito isso.
O relatório aponta que, apesar dos motores terem voltado a ganhar força após o retorno dos interruptores à posição de operação, o avião já estava perdendo altitude rapidamente. Um dos pilotos chegou a emitir o alerta de emergência “MAYDAY MAYDAY MAYDAY”, mas a aeronave se chocou contra o solo antes de qualquer manobra de correção.
As autoridades responsáveis informaram que, até o momento, não há recomendações técnicas para fabricantes dos motores GE GEnx-1B ou para a Boeing, fabricante do modelo 787-8 Dreamliner. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do acidente e os erros na identificação das vítimas.
