Na última segunda-feira (28), um vídeo que mostra um jovem oferecendo uma galinha viva a uma cobra viralizou nas redes sociais e atingiu mais de 6 milhões de visualizações. A gravação foi feita por Gabriel Gouveia, de 20 anos, em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, onde a família mantém um ecopark com autorização ambiental para criar espécies silvestres. As informações são do g1.
Gabriel Gouveia é universitário e cresceu rodeado pelos animais do parque ecológico da família. O local, que também funciona como pousada, recebe visitantes e abriga animais que não podem ser devolvidos ao habitat natural. O jovem compartilha momentos do dia a dia com os bichos em vídeos nas redes sociais, mostrando desde brincadeiras com um filhote de onça-pintada até interações com uma píton e um macaco que assiste vídeos em um tablet.


Vídeo da cobra comendo galinha causou repercussão nas redes
No vídeo que teve maior alcance, Gabriel Gouveia aparece alimentando uma sucuri com uma galinha presa a uma vara. A cena gerou diversas reações online. “Já sim [recebi críticas], principalmente com os vídeos que viralizam. Mas sempre que posso tento mostrar que os animais que se encontram aqui estão por um propósito de vida. Afinal, infelizmente, não podem voltar para natureza”, explicou Gabriel Gouveia ao g1.
Mesmo demonstrando grande familiaridade com os animais, Gabriel Gouveia reforça que todo contato é feito com responsabilidade. “Eu nunca vou querer forçar algo com alguma interação só para aparecer em um vídeo. O animal dá sinais de quando está gostando ou não está. E quando não se toma esse cuidado que acontece a maioria dos acidentes”, pontuou.
Além da atenção durante os registros, Gabriel Gouveia também toma precauções nos bastidores, como evitar contato com os animais caso esteja gripado ou com roupas contaminadas. “Uma gripezinha para a gente pode ser fatal para um primata”, alerta.
Onça de três patas marcou trajetória do jovem com os animais
Entre tantos animais do ecopark, um em especial marcou a vida de Gabriel Gouveia: uma onça chamada Kira, que perdeu uma pata em uma briga antes de chegar ao local. “A chegada da Kira foi bem marcante para mim, foi um divisor de águas. Ali eu entendi que era isso que eu queria para a minha vida, que realmente é esse caminho que eu quero seguir na minha vida, trabalhar e cuidar dos animais”, disse Gabriel Gouveia.
Kira faz parte de um projeto de conservação e reprodução com outras espécies do ecopark. O impacto dos vídeos, segundo Gabriel Gouveia, ainda o surpreende. “Foi um retorno totalmente inesperado para mim [do vídeo viral]. Mas se aproxima, entende. E quando a gente entende como as coisas realmente funcionam, é aí que o respeito começa, e o cuidado também”.
Ecopark abriga mais de 100 espécies resgatadas
O ecopark fica na praia de Barra Grande, em Maragogi, e abriga mais de 100 espécies, entre aves exóticas, primatas, onças, cobras, jacarés e lagartos. Todos os animais foram resgatados e não podem ser reintroduzidos na natureza.
“A gente trabalha com animais ameaçados e que chegam através de órgãos ambientais, como o IMA [Instituto do Meio Ambiente] e o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente]. Esses animais não têm condições de voltar para a natureza, por isso que o órgão ambiental destina para a gente”, explicou Murilo Loureiro, proprietário do Ecopark.
