Na terça-feira (18/03), foram detalhadas as principais mudanças do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, com início do prazo de entrega previsto para 23 de março e término em 29 de maio, conforme regras da Receita Federal do Brasil. As atualizações reforçam o uso de sistemas digitais para automatizar processos e reduzir erros no preenchimento. As informações são do Comunicação Serpro.
As medidas foram regulamentadas por instrução normativa publicada em março e refletem a ampliação da integração de dados entre órgãos públicos, com participação do Serpro no desenvolvimento tecnológico. Segundo representantes do órgão, as mudanças buscam facilitar o envio da declaração e tornar o sistema mais eficiente para contribuintes e administração pública.




Principais mudanças no IRPF 2026
A obrigatoriedade de entrega passou por atualização, com ajustes nos critérios de renda, patrimônio e operações financeiras. De acordo com José Carlos da Fonseca, “A obrigatoriedade de apresentação da declaração desse ano está literalmente nessa instrução normativa. Não há nenhuma outra situação em que a pessoa esteja obrigada a apresentar a declaração que não esteja nela”.
O calendário de restituições foi reorganizado, com redução de cinco para quatro lotes e concentração dos pagamentos nos primeiros meses. Segundo o supervisor, “A ideia é que, nos dois primeiros lotes de restituição, ou seja, maio e junho, a gente tenha 80% das restituições contempladas”.
Entre as novidades, aparece o projeto piloto de restituição automática para contribuintes com valores a receber que não enviaram a declaração. Nesses casos, o sistema identifica dados disponíveis e realiza o pagamento diretamente, caso exista chave Pix vinculada ao CPF. “A Receita vai gerar a declaração para esses contribuintes e realizar o pagamento da restituição”, afirmou José Carlos da Fonseca.
A declaração pré-preenchida foi ampliada com integração a bases como eSocial e EFD-Reinf, permitindo inclusão automática de rendimentos, retenções e despesas. “A ideia é que o contribuinte tenha cada vez mais que apenas revisar a declaração pré-preenchida”, explicou o supervisor.
Outra mudança relevante envolve a substituição gradual da DIRF por envio contínuo de informações ao longo do ano, o que aumenta a capacidade de cruzamento de dados e reduz inconsistências.
O sistema também passa a incluir dados mais detalhados do mercado financeiro, com uso de informações fornecidas por instituições para validação e preenchimento da declaração.
A organização de dependentes foi reformulada com base no núcleo familiar, permitindo identificação automática de divergências durante o preenchimento. “Você está dizendo que pagou uma despesa […] e esse rendimento não está aqui”, exemplificou José Carlos da Fonseca.
O IRPF 2026 passa a exigir declaração de valores relacionados a apostas esportivas, com códigos específicos para esse tipo de operação.
Novos campos cadastrais, como raça ou cor e nome social, foram incorporados para qualificar as informações e ampliar análises de políticas públicas.
A versão online do sistema ganhou alertas inteligentes que indicam inconsistências em tempo real. “Como nós temos uma solução online em que a gente pode fazer verificações em tempo real, alguns alertas vão começar a ser implantados nesse ano”, afirmou Cristiane Drumond.
As mudanças indicam avanço na digitalização do sistema tributário, com maior integração de dados e redução da necessidade de preenchimento manual. Segundo Cristiane Drumond, “Para o contribuinte, isso significa menos preenchimento manual, mais orientação durante o processo e maior previsibilidade no resultado da declaração. Para o Estado, representa um salto na capacidade de processamento, cruzamento e confiabilidade das informações”.
