Uma “infestação” de cobras, especialmente da espécie jiboia, tem causado medo nos habitantes da Vila do Papel, comunidade situada no bairro da Ilha Joana Bezerra, no centro do Recife. Em entrevista à TV Globo, eles relataram que os animais começaram a surgir há quatro meses e chegaram a colocar roupas entre as frestas das telhas para impedir que os bichos entrem em casa.
De acordo com os relatos, o foco do problema é um terreno particular desocupado, com vegetação densa e acúmulo de lixo, localizado próximo às casas “visitadas” pelas cobras. Apesar de não ser venenosa, a jiboia, uma das maiores espécies do mundo, pode atingir até 4 metros de comprimento.


O gestor público Adelson Pereira disse que tentou acionar os órgãos responsáveis para resolver a situação, mas não teve retorno. De acordo com ele, o proprietário do terreno baldio ainda não tomou providências para limpar a área. Procurada, a prefeitura informou que vai notificar o dono para fazer a manutenção.
“Tentei entrar em contato com a Cipoma e com outros órgãos e a gente não teve nenhuma resposta. [..] É um terreno particular e até agora o dono não se posicionou”, afirmou.
O pedreiro Magellt Ferreira de Lima e a autônoma Niedja Ferreira Ramos perderam uma inquilina da casa que alugam por causa do aparecimento das cobras. Ela contou que a família morava no imóvel havia 18 anos, mas decidiu se mudar após ver serpentes.
“Era ela [a inquilina], o esposo e as duas filhas. Ela estava morrendo de medo, porque já apareceram três cobras na casa dela, inclusive uma em cima da cama, por debaixo do lençol, enquanto ela dormia. Ela estava com muito medo. Ninguém estava conseguindo dormir tranquilo. Aí ela optou por sair para ter sossego, porque quem aguenta?”, disse.
Moradores
Segundo Niedja, os próprios moradores também vivem com medo de entrar em casa e encontrar uma cobra escondida. A insegurança aumentou porque muitos não conseguem identificar se os animais são peçonhentos ou não.
“Eu moro aqui embaixo e eu também estou morrendo de medo. Entro em casa olhando tudo com medo de puxar alguma coisa e ela estar lá para dar o bote. Porque realmente a gente pode não saber se tem veneno ou não, porque a gente não conhece. Então, a gente fica muito assustado com essa situação toda, tudo por conta desse terreno que ninguém aparece para vir fazer uma limpeza”, afirmou.
