Na última sexta-feira (01/05), familiares e vizinhos retiraram uma bebê de 3 meses e um menino de 2 anos de uma casa invadida pela água no bairro de Peixinhos, em Olinda, após a elevação do nível do Rio Beberibe durante um temporal no Grande Recife. O resgate ocorreu com uso de bacias para garantir a flutuação das crianças em meio à inundação. As informações são do g1 PE.
Câmeras de segurança instaladas na área captaram o momento em que parentes e moradores da região entram na água para salvar as crianças. Em diversos trechos, pessoas precisam nadar devido à altura da água, que alcançou o pescoço dos moradores dentro da residência.


Relatos da família
A bebê foi colocada dentro de uma bacia apoiada sobre uma tábua para melhorar a sustentação, enquanto um homem utilizava um guarda-chuva para protegê-la. Em seguida, o menino, identificado como Ravi Miguel, também foi transportado em uma bacia conduzida por um adulto através da água, enquanto a mãe tentava tranquilizá-lo à distância.
Outros resgates também ocorreram na mesma área. Um gato e objetos foram levados em uma geladeira danificada que serviu como flutuador. Um porco foi colocado dentro de um tonel para atravessar a enchente.
Em entrevista à TV Globo, Dayane Maria dos Santos de Lima relatou o avanço da água nas primeiras horas da manhã. “Assustou pelo fato de muita água, né? E estava batendo nas coisas. Aí eu disse: ‘olha, mainha, não tem mais o que fazer. A gente estando aqui, ou sem estar aqui, a água vai bater do mesmo jeito, a gente tem que sair’. Nunca deu água assim dentro de casa, só a enchente de 2022 e essa agora”.
Dayane explicou que decidiu retirar os filhos diante do risco dentro da residência. “Começou a subir mais a água, aí foi quando começou a bater nas tomadas, e a gente precisou desligar o contador e ficou sem energia e sem lugar pra sentar, por isso que eu precisei sair com ela [a bebê]. Quando ela estava saindo daquele jeito [na bacia], eu ainda disse ‘não, não leva ela assim não’, porque eu fiquei com medo da tábua virar e ela cair”.
Após deixar a casa, Dayane seguiu com os filhos e a mãe para a residência de uma amiga. Márcia Silva dos Santos relatou prejuízos causados pela água, com perda de móveis e itens essenciais. “O berço da criança, o guarda-roupa de Dayane, o armário, o carrinho de bebê da menina. […] Todos nós aqui somos esquecidos. Ajeita aqui e ajeita ali, mas aqui ninguém faz nada para a gente, por isso vivemos nessa situação”.
Márcia afirmou que adaptações já tinham sido feitas na residência para reduzir danos em enchentes anteriores. “Tentamos minimizar mais a situação, mas a água continua cada vez mais subindo e subindo”.
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