Deolane Bezerra pode continuar detida após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestar pela manutenção da prisão preventiva. A influenciadora está presa desde maio, quando foi alvo da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A decisão sobre a continuidade da prisão deve ser analisada pela Justiça nesta sexta-feira (21/8).
A manifestação provocou uma reação de Daniele Bezerra, irmã de Deolane, que usou os Stories do Instagram na noite de quinta-feira (20/8) para falar sobre as acusações enfrentadas pela influenciadora. A advogada afirmou que a família convive com investigações e ações policiais há anos e criticou a exposição pública sofrida durante o período.
Daniele Bezerra fala sobre acusações contra a irmã
“Desde 2022, convivemos com investigações sucessivas, medidas invasivas e exposição pública. Três equipes policiais diferentes já investigaram, prenderam, apreenderam e concederam inúmeras entrevistas. Até a minha mãe já foi presa”, recordou ela.
“Deolane nunca teve 35 empresas. Deolane nunca se casou em uma penitenciária. Deolane nunca integrou organização criminosa. Eu sei que, por ser irmã e advogada dela, muitos vão dizer que minha palavra não basta. Por isso, esperamos que os fatos e as provas falem.
Mas, quando tudo isso estiver esclarecido, quem devolverá à minha família o que estamos vivendo? Quem devolverá as noites sem dormir, o medo, a angústia, os remédios, a agonia e a nossa paz?
Desde 2022, convivemos com investigações sucessivas, medidas invasivas e exposição pública. Três equipes policiais diferentes já investigaram, prenderam, apreenderam e concederam inúmeras entrevistas. Até a minha mãe já foi presa.
E, antes mesmo de qualquer condenação definitiva, fomos julgadas publicamente, transformadas em motivo de chacota e carimbadas como criminosas.
Nós nos sentimos perseguidas, sim. E continuaremos nos defendendo dentro da lei, apresentando documentos, provas e respostas a cada acusação.
Porque um processo pode terminar. Uma investigação pode ser arquivada. Uma inocência pode ser reconhecida. Mas ninguém devolve o tempo vivido com medo. Ninguém devolve a paz que foi arrancada de uma família”.
MPSP pede manutenção da prisão
O Ministério Público de São Paulo defendeu, na quinta-feira (20/8), que Deolane permaneça em prisão preventiva. O mesmo pedido foi feito em relação a familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que também são investigados na Operação Vérnix.
Deflagrada em maio de 2026, a operação apura a possível participação de investigados em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A manifestação do MPSP ocorreu antes da análise periódica da prisão preventiva. Pela legislação, esse tipo de detenção precisa passar por revisão judicial a cada 90 dias. A expectativa é que um juiz avalie nesta sexta-feira (21/8) se Deolane continuará presa ou poderá responder às acusações em liberdade.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a suposta organização seria dividida em três grupos. O núcleo considerado “decisório” teria Marcola e Alejandro. O “operacional” seria formado por Everton e Paloma. Já Deolane e Leonardo seriam apontados como integrantes do núcleo “financeiro”.
No documento, o Ministério Público descreve a atuação atribuída à influenciadora dentro da investigação.
“Deolane atuava como a principal integrante do núcleo financeiro, verdadeiro caixa da organização criminosa, praticando atos de ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita por meio de contas vinculadas a ela ou suas empresas, além da conversão de tais valores em bens de elevado valor econômico”, disse o documento.
O MPSP também destacou que pedidos anteriores para revogar a prisão preventiva de Deolane já foram apresentados à Justiça, mas acabaram negados.
