Uma jovem de 18 anos fugiu no dia 8 de maio de 2025 da casa onde vivia em cativeiro há sete anos, na cidade de Blackwood, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Segundo autoridades locais, a adolescente foi mantida presa pela própria mãe e pelo padrasto, e relatou anos de abusos físicos, psicológicos e sexuais, incluindo o uso de uma caixa de transporte de cachorro como cela. As informações são do O Globo.
A fuga aconteceu quando a adolescente foi repreendida pela mãe após não limpar fezes de cachorro, uma de suas tarefas diárias. Em vez de obedecer, correu descalça até a casa da vizinha, Susan Lacey, que a acolheu. Visivelmente abalada, a jovem apresentava marcas de algemas nos pulsos, cheiro forte e o cabelo raspado de forma irregular. Durante o relato, disse que o padrasto a tocava, que comia em um balde e era proibida de ir à escola.

Mesmo com o discurso confuso, os promotores do Condado de Camden abriram investigação e apresentaram mais de 30 acusações criminais contra Brenda Spencer, de 38 anos, e Branndon Mosley, de 41, incluindo sequestro, contenção ilegal, agressão agravada e posse ilegal de armas. Mosley também responde por múltiplos crimes de agressão sexual e pode ser condenado à prisão perpétua.
Saiba como a menina conseguiu fugir
Em depoimento à polícia, Mosley confessou que usava uma caixa de transporte para cães como prisão e que raspava a cabeça da adolescente como punição. O suspeito afirmou que “bebia muito” e que não se lembrava de tê-la abusado sexualmente, mas “era possível”. A mãe negou todas as acusações.
A investigação revelou que desde a sexta série a jovem não frequentava escola, e sua irmã mais nova, hoje com 13 anos, também foi retirada do ensino público. A promotoria aponta a falta de controle sobre o ensino domiciliar como uma das razões para os anos de abuso passarem despercebidos.
“Esses são atos absolutamente abomináveis. O que eles fizeram é análogo à tortura”, declarou a promotora Grace C. MacAulay. Segundo vizinhos, a adolescente só era vista quando pegava entregas de ração para cães. Uma vez, a irmã apareceu com um olho roxo e deu versões diferentes sobre o ferimento. Apesar da denúncia informal à escola, nenhuma providência efetiva foi tomada.
Na noite da fuga, o filho da vizinha tentou ajudar a garota, oferecendo abrigo e entrando em contato com abrigos para mulheres, mas todos estavam lotados. A jovem passou a noite trancada no carro dele por segurança. No dia seguinte, foi levada ao Hospital Jefferson Stratford e relatou os abusos com mais clareza. Dois dias depois, sua mãe e seu padrasto foram presos.
As duas irmãs estão agora sob custódia do estado, em local não revelado. A promotoria teme que casos semelhantes se repitam, já que abusadores podem se aproveitar da falta de fiscalização do ensino domiciliar para manter vítimas fora do alcance das autoridades.
