Ivana Nikoline Brønlund, de 18 anos, deu à luz sua filha Aviaja-Luuna em um hospital de Hvidovre, nos arredores de Copenhague, onde mora com os pais. Uma hora após o nascimento, a prefeitura de Høje-Taastrup decidiu acolher a bebê em um lar temporário, alegando falha da jovem em um “teste de competência parental”. O procedimento, no entanto, havia sido proibido em maio para pessoas de origem groenlandesa, após anos de críticas de organizações de direitos humanos que consideravam os testes discriminatórios e culturalmente inadequados para a população inuíte.
Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, Ivana pôde segurar e confortar a filha apenas por alguns minutos antes da separação. A decisão gerou forte reação e levantou questionamentos sobre o motivo de ainda terem aplicado um teste que já era considerado ilegal no momento da avaliação.

Questionamentos sobre a legalidade do caso
Em entrevista, Ivana relatou a dor que sentiu ao ter a filha levada logo após o parto. “Eu não queria entrar em trabalho de parto porque sabia o que aconteceria depois. Eu mantinha minha bebê perto de mim enquanto ela estava na minha barriga, era o mais perto que eu conseguia estar dela. Foi um momento muito difícil e horrível”, desabafou. Ela acrescentou, em lágrimas: “Meu coração se partiu quando ela [a supervisora] disse que o tempo tinha acabado. Fiquei tão triste que gritei para o carro [que levava a filha]. Foi tão rápido que tivemos que ir embora. Meu coração está partido, não sei o que fazer sem ela”.
A ministra de Assuntos Sociais da Dinamarca, Sophie Hæstorp Andersen, afirmou estar preocupada com os relatos e pediu explicações formais à prefeitura de Høje-Taastrup. O caso repercutiu além das fronteiras dinamarquesas, gerando protestos também na Groenlândia, Islândia e Irlanda do Norte.
Histórico e justificativas apresentadas
Ivana, que já representou a Groenlândia em seleções de base de handebol, foi informada de que a retirada da filha se devia ao trauma vivido com seu pai adotivo, atualmente preso por abuso sexual. Inicialmente, a prefeitura alegou que a jovem “não é groenlandesa o suficiente” para que a lei de proibição dos testes fosse aplicada, apesar de ser natural de Nuuk e filha de pais groenlandeses. Posteriormente, o município reconheceu “falhas” e declarou estar comprometido em buscar “a melhor solução possível” para a família.
Segundo documentos, os testes começaram a ser aplicados em abril, após o anúncio de que seriam suspensos, e foram concluídos em junho, quando a lei já estava em vigor. Ivana recebeu a informação de que perderia a guarda três semanas antes do parto.
A mãe adotiva da jovem, Gitte, que é meio groenlandesa, criticou a decisão. “Parece que você não tem permissão para ter um trauma se vai ser mãe”, disse.
No momento, Ivana só pode visitar Aviaja-Luuna a cada duas semanas, por duas horas, sob supervisão. O recurso do caso será analisado no dia 16 de setembro.
