Pesquisadores identificaram uma nova espécie de fungo parasita na quarta-feira (16/04), na Universidade Federal de Viçosa, localizada em Viçosa. O organismo, chamado de Gibellula mineira, foi encontrado em uma área de Mata Atlântica dentro do campus e atua sobre aranhas hospedeiras. As informações são da Deutsche Welle e g1.
A descoberta ocorreu durante uma pesquisa acadêmica voltada ao estudo de comportamento de aranhas. O nome escolhido faz referência ao estado onde a espécie foi identificada. “As sugestões [de nome] foram surgindo, mas o ‘mineira’ ganhou disparadamente, porque a gente queria homenagear mesmo o local em que a gente viu essa descoberta”, afirmou Aline dos Santos.

Fungo manipula comportamento da aranha para se reproduzir
O fungo tem como alvo a aranha Iguarima censoria e atua controlando seu comportamento. Segundo os pesquisadores, o parasita leva o hospedeiro a se deslocar para locais que favorecem o desenvolvimento e a propagação da espécie.
Especialistas destacam que não existe risco para humanos. “É importante ressaltar que esses fungos são específicos de aranha. Então, não tem nenhuma relação ou possibilidade, obviamente, de parasitismo em humanos ou qualquer outro risco nesse ambiente”, afirmou Thiago Kloss.
O mecanismo de ação apresenta semelhanças com o do gênero Ophiocordyceps, conhecido por afetar formigas. “O que o Ophiocordyceps faz com as formigas, a Gibellula também faz, em algum momento, com as aranhas. Mas, ao mesmo tempo, são grupos de origens bem distintas. Eles são distantes na evolução, digamos assim”, explicou Thairine Mendes Pereira.
Os cientistas ainda investigam como o fungo consegue interferir no organismo da aranha. “A gente sabe o resultado final dessa interação. A gente vê que o fungo está parasitando a aranha e a aranha está morta em algumas condições muito específicas que o hospedeiro saudável não ocorre. Mas como que ele chegou até lá? Quais são as moléculas envolvidas? Quais são os compostos que esse fungo está produzindo ali? O mecanismo e o meio do caminho que a gente ainda precisa responder”, afirmou Thairine Mendes Pereira.
A pesquisa também reforça o potencial da biodiversidade brasileira para descobertas científicas. “A gente pode se surpreender. Provavelmente a gente pode encontrar coisas novas. Tem que olhar com carinho, né?”, disse Aline dos Santos.
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