No dia 22 de julho de 2013, o papa Francisco começou uma jornada internacional ao desembarcar no Brasil. O Rio de Janeiro foi o destino escolhido para o primeiro líder latino-americano da Igreja Católica, que na época tinha 76 anos.
Durante a viagem, Francisco discursou durante a 28ª Jornada Mundial da Juventude. O pontífice chegou a brincar com a rivalidade entre Brasil e Argentina, quando jornalistas perguntaram sobre o futebol: “Vocês [brasileiros] já têm um Deus brasileiro, querem um papa também?”





Ao lado da então presidente Dilma Rousseff, o papa fez o discurso: “Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica.”
O pontífice destacou a diversidade e a unidade do Brasil: “Nesta hora, os braços do papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do papa. Desde já abençoo a todos.”
A relação de Francisco com o Brasil era profunda. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o papa viajou dois dias depois para o município paulista que leva o nome da santa, onde celebrou sua primeira missa pública na América Latina. Ele ainda destacou a importância dos jovens como “motor poderoso” para a Igreja Católica.
Um dos momentos mais marcantes de sua visita foi seu discurso na Favela da Varginha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e as confissões realizadas com jovens de diferentes continentes. No último dia da viagem, Francisco celebrou a Missa de Encerramento da Jornada Mundial da Juventude na Praia de Copacabana, diante de uma multidão estimada em 3 milhões de pessoas.
A calorosa recepção dos brasileiros fez forte impressão no papa. Em outras ocasiões, ele agradeceu ao país por sua acolhida e descreveu os brasileiros como um povo “generoso” e de “grande coração”. Durante uma missa no Vaticano, Francisco classificou a viagem como “um grande presente”.
Papa fez a canonização da primeira santa brasileira
Em 2019, o papa Francisco canonizou Irmã Dulce, tornando-a a primeira santa nascida no Brasil. A cerimônia, realizada no Vaticano, contou com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão, que representou o governo brasileiro. Irmã Dulce foi chamada de “Santa Dulce dos Pobres” após o reconhecimento de dois milagres atribuídos à sua intercessão.
Em 2014, o papa também proclamou santo o jesuíta espanhol José de Anchieta, um dos fundadores de São Paulo e conhecido como o “Apóstolo do Brasil”, por sua incansável missão no país.
Além disso, o papa Francisco manteve uma relação estreita com os presidentes brasileiros, recebendo no Vaticano Dilma Rousseff, Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva, com quem discutiu questões como desigualdade, meio ambiente e democracia. Em 2023, o presidente Lula teve uma audiência com o papa.
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