Nesta quarta-feira (6), entra em vigor a tarifa adicional de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre diversas exportações brasileiras, medida assinada pelo presidente Donald Trump. O governo brasileiro calcula que essa sobretaxa afetará diretamente 35,9% dos produtos exportados para o mercado americano. As informações são do g1.
A decisão executiva de Trump adiciona uma tarifa extra de 40% aos 10% já aplicados desde abril, totalizando 50% sobre uma lista específica de produtos brasileiros. No entanto, cerca de 700 itens entre os cerca de quatro mil exportados pelo Brasil para os EUA foram excluídos dessa cobrança.



Produtos e setores que ficaram de fora da sobretaxa
Entre os que não sofrerão a tarifa adicional estão produtos importantes para os Estados Unidos, como aviões da Embraer, turbinas, pneus, motores, suco de laranja, castanhas, insumos de madeira, celulose, ferro-gusa, minério de ferro, equipamentos elétricos e petróleo. Esses itens representam 44,6% das exportações brasileiras para os EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Setores que terão impacto direto com o tarifaço
Contudo, setores fundamentais da pauta exportadora brasileira sofrerão com a nova tarifa. Produtos como café, cacau, carne bovina, frutas, têxteis, calçados e móveis não foram incluídos na lista de exceções e, portanto, terão a taxa de 50% aplicada. Em 2024, esses produtos representaram US$ 14,5 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Além disso, outros 19,5% das exportações, ou US$ 7,9 bilhões, já enfrentam tarifas específicas, como as de 25% para autopeças e automóveis e 50% para aço, alumínio e cobre, aplicadas por motivos de segurança nacional.
Impacto no café, carne e frutas
O Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café para os EUA no ano passado. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) prevê efeitos diretos na formação de preços. A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) destaca que 34% do café consumido nos Estados Unidos é brasileiro.
Os Estados Unidos são o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira, com 532 mil toneladas exportadas em 2024, representando 16,7% do volume total e US$ 1,6 bilhão em receita, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A Minerva estima que o tarifaço pode reduzir em até 5% sua receita líquida. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alerta que as vendas para os EUA podem cair US$ 1 bilhão.
No setor de frutas, a Associação Brasileira de Frutas (Abrafrutas) destaca que a alta na tarifa pode prejudicar a competitividade de mangas, uvas e açaí, responsáveis por 90% do total exportado para os EUA, e alerta para “graves impactos” diante da medida.
