Vishwash Kumar Ramesh foi o único a sobreviver à queda do voo AI171 da Air India, em Ahmedabad, e a posição em uma poltrona próxima à saída de emergência, a 11A, se mostrou um fator determinante. Especialistas em aviação apontam que, em geral, lugares menos seguros são os assentos na parte dianteira, perto de janelas e longe dos corredores. As informações são do g1.
Segundo especialistas em aviação ouvidos pelo g1, “cada acidente tem suas particularidades, e nem sempre os dados estatísticos refletem o desfecho de um caso específico.” Ainda assim, estudos de longo prazo indicam que a parte traseira tende a ser mais segura.




Em 2015, a revista norte-americana TIME analisou 35 anos de registros de acidentes da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos. A conclusão foi que passageiros sentados na parte traseira apresentavam uma taxa de mortalidade de 32%, enquanto os que viajavam no meio tinham 39% e os da frente, 38%. Os assentos centrais na parte de trás mostraram a menor taxa: 28%.
Essa tendência foi reforçada por um experimento realizado em 2012 para um programa de TV, em que um Boeing 727-200 foi conduzido propositalmente ao choque em uma área desértica do México. Bonecos de teste foram espalhados pelos assentos da aeronave. O impacto partiu o avião em diversas seções e permitiu avaliar os efeitos em diferentes áreas. Os manequins colocados na cauda quase não sofreram danos, enquanto os da frente tiveram ferimentos severos ou fatais. Na região das asas, os danos foram sérios, mas, em muitos casos, os passageiros teriam sobrevivido.
No caso de Vishwash, embora estivesse bem à frente das asas, ele contava com uma vantagem relevante. “Estar próximo à saída de emergência aumenta significativamente as chances de sobrevivência”, conforme aponta um estudo da Universidade de Greenwich, publicado em 2008.
Assento mais seguro depende do tipo de acidente
Embora os estudos apresentem padrões, os especialistas reforçam que a dinâmica de cada acidente é diferente. Para o engenheiro e doutor em gerenciamento de riscos aeronáuticos Gerardo Portela, a localização ideal varia conforme o tipo de impacto. “Em um pouso na água, por exemplo, a posição sobre as asas pode ser mais vantajosa, porque elas flutuam”, explica.
O piloto comercial e instrutor de voo George Rocha, que atua na área desde 1981, alerta que os tanques de combustível ficam próximos às asas, o que representa um risco adicional em caso de incêndio. “Assentos quatro fileiras adiante das asas diminuem a possibilidade das chamas se direcionarem para frente, pois o movimento progressivo da aeronave, mesmo no impacto, empurra a direção das chamas para trás”, afirma.
Pensando na segurança de seus próprios familiares, Rocha compartilhou um conselho: “Eu sempre oriento minhas filhas a se sentarem ou à frente das asas ou lá atrás, na cauda.”
