Na última sexta-feira (9), foi revelado que um ex-auxiliar de manutenção da Voepass afirmou que o sistema de degelo da aeronave envolvida na queda em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, apresentava falhas já na madrugada anterior ao acidente. O relato indica que o problema foi comunicado verbalmente por um piloto, mas não registrado no diário técnico obrigatório, o que teria permitido a liberação do voo. As informações foram dadas pelo g1.
De acordo com o ex-funcionário, o piloto que havia operado o mesmo avião poucas horas antes da tragédia relatou verbalmente à equipe de manutenção que o sistema de degelo se desativava sozinho durante o voo. Mesmo diante desse relato, a informação não foi anotada no technical log book (TLB), documento obrigatório que registra falhas mecânicas. A ausência do registro serviu como justificativa para que a aeronave seguisse operando normalmente.





Falha no degelo foi identificada na madrugada
“Essa aeronave nunca tinha apresentado esse tipo de falha, né? Só que no dia do acidente, quando essa aeronave chegou de Guarulhos para Ribeirão, ela foi reportada verbalmente pelo comandante que trouxe ela. Foi alegado que ela tinha apresentado o airframe [fault] (alerta emitido quando há problema no degelo) durante o voo. E ela estava desarmando sozinha. Ele acionava [o sistema] e ela desarmava. Coisa que não poderia acontecer.”, afirmou o ex-auxiliar ao g1.
A falha mencionada pelo piloto teria ocorrido durante o voo 2293, que saiu de Guarulhos às 00h12 e chegou a Ribeirão Preto por volta da 1h. Entre 1h e 5h30, o avião permaneceu no hangar para manutenção básica, mas sem que o problema técnico fosse investigado, justamente pela falta de anotação oficial. Às 5h32, a aeronave seguiu para Guarulhos, de onde partiu depois para Cascavel às 8h20, retornando a São Paulo no voo 2283, que caiu às 13h22 em Vinhedo, matando 62 pessoas.
Segundo o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 121, nenhuma aeronave pode decolar em rotas com possibilidade de formação de gelo sem que o sistema de proteção esteja operando corretamente. A falha no degelo, portanto, representava um risco direto à segurança do voo.
