Na quinta-feira, 4 de setembro, a Polícia Civil iniciou investigações sobre um caso de maus-tratos em um hotelzinho infantil localizado em Linhares, no Norte do Espírito Santo. O episódio veio à tona após a circulação de vídeos nas redes sociais mostrando duas funcionárias acordando crianças com gritos e borrifadas de líquido no rosto. As imagens rapidamente geraram revolta, especialmente entre os pais que reconheceram seus filhos nas gravações.
O vídeo foi registrado dentro de uma sala do estabelecimento, que recebe crianças de seis meses a seis anos. Nele, é possível ver várias delas deitadas no chão com cobertores, chorando enquanto as funcionárias agem. Em outro momento, uma das mulheres aparece borrifando água diretamente no rosto de um menino, o que aumentou ainda mais a indignação de quem assistiu.


Protesto de pais e atuação da polícia
Assim que as imagens se espalharam, um grupo de pais foi até a porta do hotelzinho em busca de esclarecimentos. A Polícia Militar foi acionada e acompanhou tanto os responsáveis quanto a proprietária até a delegacia para prestar depoimento. A Prefeitura de Linhares também se manifestou e confirmou que fiscais estiveram no local, constatando que o espaço não possuía alvará sanitário. Por conta da irregularidade, as atividades foram suspensas imediatamente.
O Conselho Tutelar acompanha o caso e deve auxiliar nas medidas de proteção às crianças envolvidas. Já a administração do hotelzinho informou que demitiu as funcionárias, declarando que não aprova o tipo de conduta mostrada nas imagens.
Relatos indignados de pais
Uma mãe, que preferiu não se identificar, contou que sua filha aparece nas gravações sendo atingida por um jato de líquido nos olhos. “Eu percebi e já sabia da situação antes de ter contato com o vídeo. Percebi que o olho estava inchado depois que peguei ela no hotelzinho. Ela falou de forma clara: ‘Mamãe, meus olhos estão inchados e vermelhos porque a tia acordou a gente com perfume nos meus olhos, ardeu muito e por isso eu chorei’. Eu meio que estranhei a situação, não acreditando que talvez seria uma coisa por querer, talvez um acidente. Eu ia entrar em contato com a proprietária. Mas minutos depois eu vi o vídeo circulando, identifiquei minha filha e até agora não consegui ver o vídeo até o final”, destacou a mãe.
Ela afirmou ainda que registrou ocorrência e levou a filha ao médico para realizar exame de corpo de delito. Segundo a mulher, a criança já tinha demonstrado resistência em permanecer no local. “Minha filha já ficou lá outras vezes esporadicamente este ano. Já ficou lá no ano passado, depois da escola. Meu sentimento foi de culpa, porque minha filha já tinha relatado que não queria estar naquele lugar, ela chorava e eu falava que precisava trabalhar. Ela deu sinal, demonstrava que não gostava, só não sabia se expressar. Provavelmente, isso já aconteceu outras vezes. Fica um alerta para os pais, pra gente sempre ficar atento”, pontuou.
Investigações em andamento
O delegado Fabrício Lucindo, responsável pelo caso, informou que a conduta das funcionárias será analisada detalhadamente. “Essas imagens serão avaliadas pela Polícia Civil. A princípio, nos parece que é um caso de maus-tratos, mas a polícia vai investigar para saber o que aconteceu e o que estava acontecendo nesse hotelzinho nesses últimos tempos. Vamos avaliar todas as condutas para saber se existem outros crimes que podem ter acontecido ali também”, pontuou o delegado.
Ele destacou ainda que todas as crianças passarão por exames periciais e que os pais serão chamados para depor. “A proprietária também pode ser responsabilizada, a depender da apuração. Pode ser que ela não sabia o que estava acontecendo, que ela agiu por omissão e não tomou nenhuma atitude ou pode ter incentivado tudo isso. Ela já prestou depoimento pela manhã e trouxe pra gente uma lista de todas as crianças hospedadas no hotel com contato dos pais e telefones”, afirmou Lucindo.
Em nota oficial, o estabelecimento declarou que sempre zelou pelo bem-estar dos menores em seus seis anos de funcionamento e reforçou que não compactua com atitudes que coloquem em risco a integridade física ou emocional das crianças. Também informou que registrou ocorrência na delegacia para que a Justiça tome as medidas cabíveis.
Um vídeo divulgado nesta quarta-feira (3) causou revolta nas redes sociais ao mostrar funcionárias de um "hotelzinho" acordando crianças aos gritos e com jatos d’água. O caso aconteceu na cidade de Linhares, no norte do Espírito Santo. https://t.co/HyEQNpurbz pic.twitter.com/6VaDYgkbNp
— BNews (@bnews_oficial) September 4, 2025
