A comercialização ilegal de canetas emagrecedoras pela internet motivou a intensificação de investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (02/03), após a identificação de anúncios sem prescrição médica e, em diversos casos, sem autorização da Anvisa. As informações são do g1.
Anúncios publicados em redes sociais oferecem os produtos com promessas de “emagrecimento rápido” e condições facilitadas de pagamento, inclusive via PIX. A venda é considerada irregular quando ocorre sem receita médica, fora de farmácias autorizadas ou com indícios de falsificação e contrabando. Reportagem do Bom Dia Rio localizou dezenas de publicações com imagens de caixas fechadas e abertas dos medicamentos.




Riscos à saúde
A Polícia Civil informou que reforçou ações para identificar fornecedores e desmontar a rede de comércio clandestino. Desde o fim do ano passado, operações vêm sendo realizadas para coibir a atuação de farmácias, clínicas de estética e vendedores autônomos envolvidos na prática.
Em contatos telefônicos feitos pela reportagem, alguns anunciantes confirmaram a venda sem exigência de prescrição. Um dos vendedores afirmou conseguir a caneta por R$ 1.800 “com um amigo” e encerrou a ligação ao ser questionado sobre possíveis riscos. Outra pessoa ofereceu ampolas de tirzepatida por R$ 500 cada, com “valor promocional”, e indicou um protocolo de uso. Um terceiro contato declarou que não comercializava diretamente, mas que poderia intermediar a aquisição.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia manifestou repúdio à prática. A vice-presidente da entidade, Karen de Marca, alertou que determinados medicamentos possuem aprovação apenas em formato específico. “Se chegar em frasco, já não é um produto aprovado pela Anvisa”, afirmou.
A especialista orienta que pacientes utilizem apenas medicamentos prescritos por profissional habilitado e com registro no Conselho Regional de Medicina, além de desconfiar de preços muito abaixo do valor de mercado ou produtos fora da embalagem original.
Prisões que já foram feitas
No dia 24, uma influenciadora digital e o marido foram presos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a investigação, Larissa da Silva Caetano Anunciação, que se apresentava como enfermeira nas redes sociais, promovia medicamentos, conduta proibida pela legislação. Marcus Vinícius Silva da Anunciação também foi detido.
A ação foi conduzida por agentes da Delegacia do Consumidor, e o casal vai responder por crime contra a saúde pública e contra as relações de consumo. Na residência, policiais apreenderam ampolas das canetas, suplementos alimentares, celulares e computadores.
Em outra operação, realizada no dia 20, agentes prenderam suspeitos de trazer produtos irregulares do Paraguai, ampliando o cerco contra a rede de distribuição clandestina.
