Nesta sexta-feira (26), a polícia japonesa informou que um YouTuber ucraniano com mais de 6,5 milhões de inscritos foi preso por transmitir ao vivo uma invasão a uma residência localizada na zona de exclusão nuclear de Fukushima, região interditada desde o desastre nuclear de 2011. O caso ocorreu na cidade de Okuma, província de Fukushima, e envolveu também a prisão de dois outros cidadãos ucranianos. As informações são da AFP.
De acordo com a polícia de Fukushima, “os policiais descobriram os suspeitos após informações fornecidas por um cidadão e os prenderam em flagrante”. A TV Asahi exibiu trechos da transmissão, mostrando os três ucranianos preparando chá dentro da casa e manuseando objetos abandonados desde a evacuação da área. Segundo a emissora, todos os detidos admitiram as acusações.


Áreas ainda sob risco de radiação
Após o terremoto e o tsunami que desencadearam a catástrofe nuclear de 2011, cerca de 12% da província de Fukushima foi classificada como zona proibida, o que levou aproximadamente 165 mil moradores a deixarem suas casas. Embora grande parte da região tenha sido reaberta, locais como Okuma permanecem considerados perigosos devido à contaminação radioativa. O ex-embaixador da Ucrânia no Japão, Sergiy Korsunsky, comentou no X: “Isso não deveria estar acontecendo”.
Casos anteriores e tensões locais
A prisão reacendeu discussões sobre o comportamento de estrangeiros em busca de visibilidade no Japão. Em 2023, a polícia já havia detido o streamer americano Johnny Somali, identificado como Ismael Ramsey Khalid, de 23 anos. O criador de conteúdo foi acusado de invadir um canteiro de obras e apareceu em vídeos gritando repetidamente “Fukushima” para trabalhadores, além de assediar passageiros de trem com referências aos bombardeios atômicos de 1945.
O aumento recorde de turistas tem ampliado o desgaste com atitudes consideradas desrespeitosas. O partido Sanseito, de viés nacionalista, explorou o tema nas eleições para a câmara alta deste ano e conquistou ganhos eleitorais ao defender pautas contra imigração e turismo excessivo.
Veja o vídeo:
