Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a reformular a estratégia para o segundo turno das eleições. A principal mudança envolve a comunicação digital, com a tentativa de aproximar o presidente das redes sociais e adotar formatos mais diretos para conversar com os eleitores.
Lula recebeu 45,16% dos votos válidos no primeiro turno, contra 47,03% de Flávio. A segunda votação está marcada para 25 de outubro, e a campanha petista passou a discutir maneiras de ampliar seu alcance nas semanas que antecedem a eleição.
Vídeos em formato selfie entram na estratégia de Lula
Uma das novidades é a utilização mais frequente de vídeos gravados pelo próprio Lula em formato selfie. A proposta foi apresentada pelo governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que utiliza esse tipo de conteúdo para se comunicar diretamente com o público pelas redes.
Na quarta-feira (7), Lula publicou dois vídeos nesse formato. Em um deles, convocou apoiadores a conversarem com eleitores nas ruas. No outro, abordou a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1 e questionou como Flávio Bolsonaro e o PL pretendem se posicionar sobre o tema.
A ideia é ampliar a presença do candidato em plataformas como Instagram e TikTok, utilizando uma comunicação mais curta e direta.
Campanha quer aumentar a presença de Lula nas redes
A mudança digital ganhou força após integrantes da própria esquerda defenderem uma reformulação na maneira como Lula se comunica pela internet. Jovens lideranças eleitas com forte atuação nas redes foram chamadas para contribuir com a discussão.
Entre elas está Ana Elisa (PT-MG), deputada federal eleita aos 21 anos e com forte presença digital. Ela participou de reuniões com a equipe de comunicação e defendeu que a campanha passe a utilizar formatos mais próximos daqueles consumidos pelos usuários de redes sociais.
André Janones também foi chamado para discutir a estratégia digital. O deputado criou um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula”, que reunia cerca de 1,7 milhão de seguidores em 7 de outubro.
Lula também aposta na mobilização nas ruas
Apesar da guinada nas redes sociais, a campanha não pretende abandonar o contato presencial. A orientação discutida entre aliados inclui manter a militância mobilizada e ampliar as ações nos estados considerados estratégicos.
Em um dos primeiros vídeos no novo formato, Lula pediu que apoiadores fossem às ruas para conversar com eleitores sobre temas como educação, emprego e democracia.
A campanha também discute uma possível retomada das viagens de Lula pelos estados durante o segundo turno. Entre as prioridades está Minas Gerais, que possui 853 municípios e é apontado pelos aliados como um território importante para a disputa.
Campanha de Lula quer dialogar com eleitores que não votaram
Outra frente discutida pela equipe é a busca por eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A campanha também pretende ampliar sua presença entre segmentos que não escolheram Lula ou Flávio na primeira etapa.
Além da comunicação digital, Lula deve participar de debates e entrevistas durante o segundo turno. A campanha também prepara os programas eleitorais que voltarão a ser exibidos no rádio e na televisão a partir de sexta-feira (9).
Lula muda comunicação após resultado do primeiro turno
A reformulação ocorre depois de reuniões entre Lula, integrantes da campanha, aliados e responsáveis pela comunicação. Na avaliação de integrantes do próprio grupo petista, a atuação nas redes precisa ganhar mais espaço na nova fase da eleição.
A estratégia, portanto, combina três frentes principais: uma comunicação digital mais direta, maior mobilização presencial e tentativa de ampliar o diálogo com eleitores que ficaram fora da base de Lula no primeiro turno.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro será decidida em 25 de outubro.
