Nesta sexta-feira (27), foi divulgado um estudo que detalha como sintomas como vermelhidão na pele, dores de cabeça e cansaço excessivo, que surgem após o consumo de vinho tinto, podem ser sinais de intolerância à histamina. Esta molécula está presente naturalmente na bebida e pode causar reações em pessoas com dificuldade em metabolizá-la. A condição, frequentemente confundida com alergia ou sensibilidade a sulfitos, é um distúrbio relativamente comum, afetando cerca de 10% da população em geral. As informações são do The Conversation.
Uma das causas principais dessa sensibilidade é a intolerância à histamina, que ocorre em indivíduos com um déficit parcial da enzima diamina oxidase (DAO). Esta enzima é a responsável por quebrar e eliminar a histamina no intestino. Na ausência da ação adequada da DAO, mesmo pequenas quantidades da substância ingerida podem desencadear os sintomas.

Entenda a Produção da Histamina no Vinho e o Risco Maior no Tinto
A histamina é uma molécula que o corpo humano produz em reações alérgicas, mas que também está presente em alimentos fermentados ou envelhecidos, como queijos e embutidos. No vinho, a histamina é formada principalmente durante a fermentação malolática, um processo feito por bactérias lácticas para suavizar vinhos tintos, mas que também gera a histamina e outras aminas biogênicas (tiramina, putrescina).
O vinho tinto representa um risco maior de provocar essa hipersensibilidade do que o branco devido ao seu método de vinificação. O vinho tinto fermenta junto com as cascas da uva, que são ricas em precursores de aminas. Já o vinho branco é prensado antes da fermentação. Além disso, a maioria dos vinhos tintos passa pela fermentação malolática, o que não é o caso de muitos brancos secos ou espumantes. Como resultado, o vinho tinto pode ter até dez vezes mais histamina que o branco. Um estudo austríaco constatou que 34% dos 100 vinhos tintos analisados ultrapassavam o limite de 10 mg/l de histamina. Embora não haja uma regulamentação específica, a indústria vinícola europeia adota limites de 2 a 10 mg de histamina por litro de vinho.
A dificuldade na metabolização da histamina pela enzima DAO pode ter origem genética, ligada a uma mutação no gene AOC1, ou ser causada por doenças digestivas crônicas (como doença celíaca ou síndrome do intestino irritável), ou ainda pelo uso de certos medicamentos (como anti-inflamatórios ou antidepressivos). Pessoas com deficiência na DAO podem apresentar os seguintes sinais em até uma hora após beber vinho tinto: vermelhidão no rosto, ondas de calor, urticária, coceira, nariz entupido, espirros, dores de cabeça, enxaquecas, cólicas, diarreia, sonolência repentina ou queda de pressão. Segundo o Instituto Internacional de Deficiência em DAO, mais de 10% da população poderia ter essa deficiência.
O álcool em si agrava o problema porque inibe a ação da DAO, o que favorece o acúmulo da histamina. O álcool também aumenta a permeabilidade intestinal, permitindo que a histamina chegue mais facilmente à corrente sanguínea e se acumule no cérebro.
É fundamental entender que a intolerância à histamina é diferente de uma alergia verdadeira. Na alergia, o sistema imunológico reage com a produção de anticorpos IgE, o que não acontece na intolerância. Alergias genuínas ao vinho, embora raras, podem ocorrer por reação à uva (proteína Vit v 1), a proteínas animais usadas na clarificação (ovo, peixe, leite), a mofo ou leveduras, ou, em casos extremos, a proteínas de insetos.
Além da histamina, outros componentes do vinho podem provocar reações. Os sulfitos, conservantes mais presentes no vinho branco, podem desencadear crises de asma em pessoas sensíveis. O etanol e seus metabólitos, como o acetaldeído, podem causar reações pseudoalérgicas. Já os taninos e flavonoides, mais abundantes no vinho tinto, são substâncias que podem interferir em enzimas cerebrais e favorecer enxaquecas, de forma semelhante ao efeito da histamina.
Pessoas que sofrem reações de hipersensibilidade ao vinho tinto podem optar por vinhos com menor teor de histamina, como o branco ou o rosé, ou considerar bebidas não alcoólicas. O champanhe, por exemplo, também contém mais histamina que o rosé ou o branco. A dica é evitar refeições que combinem vinho tinto com muitos alimentos ricos em histamina, como queijos curados, embutidos ou frutos do mar. Para investigar a condição, um exame de dosagem da enzima DAO no sangue pode ser solicitado ao médico.
