A preocupação com a saúde do bebê deve vir desde a barriga da mãe. Para isso é necessário que a mulher tome alguns cuidados durante a gestação. Mas existem algumas curiosidades, no mínimo, insólitas.
Um coquetel aparentemente indigesto, uma pequena quantidade de fezes da mãe diluída em seu próprio leite, pode ajudar o filho nascido em uma cirurgia cesariana a desenvolver uma microbiota intestinal saudável e equilibrada.




A inusitada receita, testada no ensaio clínico Estudo Cesariana e Flora Intestinal do Recém-Nascido (SECFLOR), foi apresentada recentemente durante a ID Week, encontro anual de especialistas em doenças infecciosas e epidemiologistas, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Um teste clínico publicado na National Library of Medicine, que analisou a influência da flora intestinal da mãe no desenvolvimento imunológico de bebês nascidos por cesariana, chegou a esta conclusão.
Isso faz diferença porque outros estudos mostram que as crianças nascidas por parto normal possuem um desenvolvimento imunológico melhor, que ajuda a prevenir doenças como alergias e diabetes no longo prazo.
Desde então, pesquisadores procuram formas de ajudar a impulsionar o sistema imunológico de bebês nascidos em cesariana. Outros estudos foram feitos com microbioma vaginal das mães, mas não obtiveram os mesmos resultados.
O grupo de seis cientistas, na Finlândia, orientados por Otto Helve, apresentaram os achados do teste clínico em um evento de especialistas em doenças infecciosas, realizado em Los Angeles, na Califórnia.
Como o teste clínico foi realizado
Os pesquisadores afirmaram que misturaram um fluido contendo 3.5mg de fezes da mãe no leite e deu para alimentar os bebês delas. Ao todo, 16 crianças receberam o líquido, apelidado de ‘milkshake de cocô’. Outras 15 foram alimentadas somente com placebo.
Ao longo dos meses, foi observado que os bebês que receberam a mistura se desenvolveram de forma parecida com crianças que nasceram via parto normal. Essas apresentavam um sistema imunológico mais desenvolvido por volta do seis meses de vida, quando já começavam a comer comidas sólidas.
O estudo ainda acompanhará esses sujeitos até eles chegarem aos 2 anos, e os resultados apresentados são preliminares.
