Nos últimos meses, um homem de 26 anos foi morto com um tiro na cabeça por um policial militar fora de serviço, no bairro de Parelheiros, zona sul da capital paulista. A vítima, identificada como Guilherme Dias Santos Ferreira, havia acabado de sair do trabalho e estava a caminho do ponto de ônibus quando foi confundida com um criminoso. No mesmo incidente, uma mulher também foi baleada, mas seu estado de saúde não foi divulgado. O caso voltou a viralizar nesta semana.
De acordo com o boletim de ocorrência, Guilherme percorreu cerca de 50 metros desde a marcenaria onde trabalhava até o local onde foi atingido. Com ele, foram encontrados objetos pessoais como carteira, celular, marmita, medicamentos, um livro, talheres e itens de higiene. Nenhuma arma foi localizada com o jovem.

Policial alegou tentativa de roubo antes do disparo
O responsável pelo tiro foi o policial militar Fabio Anderson Pereira de Almeida, que não estava em serviço no momento do fato. Em seu depoimento, ele afirmou que voltava para casa quando foi abordado por homens em cinco motocicletas, que teriam tentado assaltá-lo. O policial reagiu com disparos e, segundo contou, os suspeitos fugiram deixando uma das motos para trás.
Fabio relatou que permaneceu no local e, ao notar a aproximação de pessoas a pé, disparou novamente, atingindo Guilherme. A defesa do policial informou que, até o momento, não irá comentar o caso.
Uma testemunha que trabalhava com Guilherme confirmou à polícia que ele havia encerrado seu expediente às 22h28 e que, ao lado de outros colegas, seguia em direção ao transporte público. O depoente reforçou que Ferreira não sabia pilotar motos, o que enfraquece a hipótese de envolvimento no suposto assalto.
Três motocicletas foram apreendidas no local. Outro funcionário da mesma empresa que também deixava o trabalho foi detido, mas liberado após prestar esclarecimentos.
O boletim de ocorrência aponta que “Guilherme não seria um dos criminosos e se aproximava com relativa pressa para se dirigir ao ponto de ônibus, situado cerca de 50 metros do local onde foi atingido”. O documento acrescenta que a ausência de arma, o horário de saída do trabalho e os pertences encontrados com o jovem reforçam a conclusão preliminar de que ele não participou da tentativa de roubo. “Os disparos efetuados pelo policial Fabio Anderson contra si, não estariam respaldados pela excludente de ilicitude da legítima defesa”, afirma o registro.
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que o policial foi afastado de suas atividades operacionais. “As investigações do caso seguem em andamento pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e são acompanhadas pela PM. O agente, de 35 anos, foi preso em flagrante por homicídio culposo, na noite de sexta-feira (4), pagou fiança estabelecida nos termos do artigo 322 do Código de Processo Penal (CPP)”, informou a pasta.
