MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brandon Coelho Couto Silva, foi preso na madrugada desta quinta-feira (29), após ser detido por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. A prisão aconteceu na casa do cantor em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Ao longo da carreira, Poze tem sido um nome emblematico no funk carioca, com letras que fazem referência direta a organizações criminosas, armas de uso restrito e confrontos armados. Em um dos versos mais emblemáticos, “Respeita o CV”, é interpretado por investigadores como uma glorificação direta à facção Comando Vermelho, que domina diversas favelas cariocas.




Anteriormente, o cantor revelou que atuou como traficante entre 2015 e 2016, na favela do Rodo, em Santa Cruz, local onde construiu sua identidade artística. Grande parte dessa experiência está contada em composições, muitas delas alvo de investigações da Polícia Civil. Veja alguns exemplos:
“Fala que é a tropa do Comando Vermelho”
“Fala que é a tropa do Comando Vermelho / Ai, nosso fuzil tá demais” é um dos trechos mais diretos de Poze. A música faz uma referência clara à facção e à presença de armamento pesado nas comunidades dominadas por ela.
“Na CDD só tem bandido faixa preta”
Nesta música, os criminosos da Cidade de Deus são descritos com admiração. A expressão “bandido faixa preta” serve de elogio entre os demais integrantes do tráfico, mostrando respeito e autoridade no meio criminoso.
“Homenagem para tropa do Rodo”
A faixa serve como homenagem a integrantes do Comando Vermelho mortos em confrontos. Poze relembra laços afetivos com a facção e promove o tráfico como um tipo de “legado” de honra.
“Talvez”
Com uma abordagem mais reflexiva, “Talvez” traz críticas à violência policial, especialmente à Chacina do Jacarezinho, que deixou 28 mortos. A música flerta com a ideia de resistência armada, em oposição à repressão do Estado.
“Vida Louca”
“Passando na blitz, eles mandam encostar / Passando a mil, eu dou fuga até no radar” Menos explícita que as anteriores, essa música apresenta cenas do cotidiano da favela, com referências a armas, ostentação e o envolvimento com o tráfico como elementos corriqueiros.
As canções citadas fazem parte do material reunido pela Polícia Civil no inquérito que resultou na nova prisão de MC Poze do Rodo. Segundo os investigadores, os shows do artista frequentemente acontecem em territórios dominados pelo Comando Vermelho e servem como forma de estratégia da facção para aumentar os lucros com a venda de drogas.
