Na tarde do último sábado (5), La Noti, agricultor de 63 anos, foi encontrado sem vida dentro do corpo de uma píton de mais de oito metros de comprimento, na ilha de Sulawesi, Indonésia. O corpo da vítima foi localizado após familiares notarem sua ausência e organizarem buscas na região. A cobra foi avistada imóvel, com volume anormal no abdômen, e acabou sendo aberta por moradores, que confirmaram a tragédia. As informações são do g1.
De acordo com a polícia local, La Noti havia saído de casa para alimentar seus animais. O episódio se soma a uma série de ataques semelhantes no país nos últimos anos, muitos deles com desfechos fatais. Casos desse tipo são raros em outras partes do mundo, mas têm se tornado mais frequentes na Indonésia.



Expansão do óleo de palma ameaça habitats e aumenta ataques
A intensificação dos ataques de pítons reticuladas na Indonésia está diretamente ligada ao avanço do desmatamento no país. Um dos principais fatores para a devastação das florestas tropicais locais é a indústria do óleo de palma. A Indonésia, junto com a Malásia, lidera a produção global dessa gordura vegetal, utilizada em produtos que vão de alimentos a cosméticos.
Relatórios ambientais, como o da revista Nature Climate Change, revelam que o ritmo do desmatamento no país já ultrapassou o do Brasil. Com a destruição dos habitats naturais, as pítons acabam se aproximando cada vez mais das zonas habitadas, em especial das áreas rurais, onde trabalhadores frequentemente entram em contato com as cobras durante atividades em plantações.
Nos últimos anos, casos semelhantes ao de La Noti vêm se repetindo. Em 2024, duas mulheres foram encontradas mortas dentro de serpentes no intervalo de um mês. Em 2022, outra mulher foi engolida por uma cobra em uma plantação de seringueiras. Em 2018, Wa Tiba, de 54 anos, teve o mesmo destino enquanto cuidava de sua horta na cidade de Muna. Os registros de mortes datam pelo menos desde 2013, com vítimas engolidas em plantações, vilarejos e até em regiões turísticas.
A polícia local fez um alerta à população rural, pedindo cautela ao se deslocar sozinha por áreas de floresta. Especialistas reforçam que o problema tende a crescer enquanto o avanço urbano e a destruição ambiental seguirem forçando esses animais selvagens a dividir território com os seres humanos.
