Na última quarta-feira (15), um estudo publicado na revista Scientific Reports mostrou que medicamentos da classe de análogos de GLP-1, usados para diabetes e obesidade, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, podem retardar a entrada do álcool na corrente sanguínea, diminuindo seus efeitos no cérebro. As informações são do Scientific Reports
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Biomédica Fralin, da Virginia Tech, nos Estados Unidos, afirmam que esse mecanismo pode explicar por que esses remédios têm sido ligados à redução do desejo por bebidas alcoólicas. Alex DiFeliceantonio, professor e co-diretor interino do Centro de Pesquisa para Comportamentos de Saúde do FBRI, explicou que “drogas de ação mais rápida têm maior potencial de abuso” e que retardar a absorção do álcool ajuda a reduzir os efeitos e o consumo.





Medicamentos para obesidade mostram potencial no combate ao consumo de álcool
No estudo, 20 participantes com obesidade foram acompanhados. Metade fazia uso de um análogo de GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy), liraglutida (Saxenda) ou tirzepatida (Mounjaro). Todos ingeriram a mesma quantidade de bebida e os pesquisadores notaram que, no grupo que tomava os medicamentos, a concentração de álcool no sangue aumentou mais devagar e os voluntários relataram menos intoxicação.
Os cientistas apontam que, diferente de remédios para reduzir o consumo de álcool que atuam no cérebro, os análogos de GLP-1 retardam o esvaziamento do estômago, atrasando a absorção do álcool. Estudos anteriores já mostraram que pacientes tratados com semaglutida tiveram até 56% menos risco de transtorno por uso de álcool, e usuários de Ozempic apresentaram 36% menos hospitalizações relacionadas à bebida, números superiores aos de medicamentos tradicionais.
Um estudo clínico recente com 48 adultos com transtorno por uso de álcool confirmou o potencial da semaglutida. Após nove semanas, quase 40% dos participantes que receberam o medicamento não tiveram dias de consumo intenso de álcool, o dobro do grupo que recebeu placebo. Klara Klein, autora sênior do estudo, afirmou que “esses achados iniciais são promissores”, mas ressaltou que pesquisas maiores são necessárias para avaliar segurança e eficácia em populações mais amplas.
