As canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já fazem parte da rotina de muita gente… E, quando chega dezembro, bate a dúvida: dá para curtir as festas normalmente? Entre mesas lotadas, sobremesas icônicas e aquele brinde inevitável, o equilíbrio pode ser mais difícil do que parece para quem usa os remédios. As informações são da revista Marie Claire.
A nutróloga Ligiê Helena Moreira Brito, da Abran, explica que essas medicações mexem com a fome, a saciedade e deixam a digestão mais lenta. “Nunca tivemos um fármaco com tantos efeitos ao mesmo tempo”, disse ao jornal. Resultado: exagerar pode virar sinônimo de mal-estar, náusea e até desidratação.
Segundo ela, existem dois tipos de pacientes em dezembro: os que planejam as refeições antes da festa — e os que juram que a caneta permite comer como se fosse “despedida de solteiro gastronômica”. Má notícia: não permite.




O que mais causa problema na ceia (e por quê)
Pacientes que usam análogos de GLP-1 têm o estômago trabalhando em câmera lenta. E, quando você une isso a pratos típicos cheios de gordura e açúcar, o combo pode derrubar qualquer um.
Entre os mais pesados e difíceis de digerir estão:
- rabanada frita
- panetone trufado
- maionese com muito óleo
- carnes gordas
- frituras no geral
- farofas carregadas de manteiga
A nutricionista Fernanda Neves Squadrani, da BP – A Beneficência Portuguesa de SP, reforça que alimentos gordurosos aumentam o risco de diarreia, distensão abdominal e aquele mal-estar clássico das festas.
Mas não é preciso cancelar nada para sempre — o segredo é o volume. Pequenas porções ajudam o corpo a lidar melhor com pratos pesados.
Por onde começar o prato e como evitar passar mal
A estratégia mais eficiente, segundo Brito, começa antes de sair de casa: fazer um lanche rico em proteína e fibras para não chegar morrendo de fome. Pode ser:
- shake de whey com aveia e banana
- ovos mexidos com uma salada leve
- tofu grelhado com legumes (para quem é vegano)
Chegando à mesa, a regra é simples:
comece pela proteína. Isso garante saciedade e preserva a massa muscular.
Boas escolhas na ceia:
- peru, chester ou frango sem pele
- peixe assado, como bacalhau
- carnes magras em pequenas porções
- alternativas vegetarianas ricas em proteína: grão-de-bico, lentilha, tofu temperado
Depois da proteína, entram os acompanhamentos — mas com moderação:
- arroz
- farofa mais leve
- saladas
- legumes assados
Comer devagar é outra regra de ouro. Talher no prato entre as mordidas ajuda a digestão funcionar melhor. Nada de terminar a ceia e deitar em seguida: espere pelo menos duas horas.
E a sobremesa?
Liberada, mas sem exageros. A recomendação é comer a versão tradicional, nada de “fit” improvisado. A diferença está no tamanho da fatia.
Bebidas: o que escolher (e o que evitar)
Quem usa as canetas absorve o álcool mais rápido. Isso quer dizer que a mesma taça pode bater mais forte do que o normal.
O que funciona melhor:
- vinho
- gin
- doses pequenas, sempre intercalando com água
O que evitar:
- cerveja (vai em grande volume e rápido)
- bebidas gaseificadas, como espumante
- drinques com açúcar e leite condensado (indigestão certa)
Festinhas, salgadinhos e “efeito manada”
Em confraternizações cheias de fritura e álcool, a tendência é copiar o ritmo do grupo. Quando alguém exagera, todo mundo exagera junto — e quem usa Ozempic pode sentir ainda mais rápido.
Opte por petiscos mais leves, como:
- tábuas frias
- carnes em cubos
- legumes ou snacks assados
Se não tiver opção, reduza o volume e hidrate bastante.
Dia seguinte: sem culpa e sem loucuras
O recado das especialistas é simples: se exagerou, apenas volte para a rotina no dia seguinte. Nada de jejuns malucos ou compensações extremas. O corpo se ajusta — desde que você não transforme o deslize em hábito.
