Uma pesquisa publicada pelo Idec (Instituto de Defesa de Consumidores) indicou a presença de resíduos de agrotóxicos, sanitizantes e insumos farmacêuticos em alimentos ultraprocessados voltados para bebês e crianças pequenas. A pesquisa integra a série “Tem Veneno Nesse Pacote – Volume 4” e emite um alerta quanto à exposição precoce de crianças a compostos químicos que podem ser prejudiciais.
O levantamento analisou 12 produtos comercializados no Brasil, incluindo fórmulas infantis, compostos lácteos, cereais e engrossantes. Em cinco deles, foram identificados resíduos químicos. Segundo o Idec, a inexistência de limites máximos específicos para resíduos de agrotóxicos em alimentos ultraprocessados voltados ao público infantil representa uma lacuna regulatória que deixa consumidores mais vulneráveis sem proteção adequada.




Entre os produtos que apresentaram maior quantidade de resíduos está o Mingau Multicereais Nutribom, da Nutrimental. O alimento registrou sete substâncias diferentes, incluindo glifosato, glufosinato, bifentrina, deltametrina e tebuconazol. Resíduos também foram encontrados no Cereal Infantil Mucilon Milho, da Nestlé, além de compostos lácteos produzidos pelas marcas Nestlé e Piracanjuba.
Pesquisa
Pela primeira vez desde o início da série “Tem Veneno Nesse Pacote”, o Idec identificou resíduos de sanitizantes utilizados em processos de higienização industrial, como BAC, BAC-C12 e BAC-C14. De acordo com o relatório, a presença dessas substâncias pode indicar falhas nas boas práticas de fabricação e gera preocupação devido à ausência de parâmetros considerados seguros para ingestão humana.
“O discurso de saudabilidade dessas embalagens contrasta com a presença de resíduos químicos em produtos destinados justamente à população mais vulnerável. Pais e responsáveis acreditam estar oferecendo alimentos seguros, mas encontram um cenário de baixa transparência e fragilidade regulatória”, afirma o diretor executivo do Idec, Igor Britto.
