Mila Seidl falou sobre os últimos dias de vida do marido, Lito Souza, que morreu em 1º de outubro após enfrentar complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), uma enfermidade neurológica rara e degenerativa. Segundo a empresária, a causa da morte foi uma pneumonia. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., apresentado por Rogério Vilela na terça-feira (3/11), ela explicou como a condição comprometeu progressivamente os movimentos e as funções do marido.
Durante a conversa, Mila destacou que a doença costuma levar a complicações que acabam provocando a morte dos pacientes. “Normalmente, as pessoas não falecem de CJD, mas de complicações”, disse. Ela também descreveu a perda gradual dos movimentos de Lito e as dificuldades que surgiram ao longo da evolução do quadro.
Doença comprometeu movimentos e alimentação
“A CJD, no caso dele, aprisionou ele dentro do corpo. Ele começou a não movimentar braço, não movimentar perna, até que perdeu a sustentação do tronco. Então, ele já não conseguia mais, por exemplo, ficar sentado. [E, com o tempo, o pescoço e a cabeça [perderam os movimentos]. Quando isso aconteceu, ele perdeu os controles de movimento de deglutição. Então ele precisou ter que passar uma sonda de alimentação]“, comentou.
A empresária também contou que o marido havia organizado documentos para deixar registradas suas decisões sobre os cuidados médicos que gostaria de receber. “Lito era tão inteligente que fez tanto um testamento quanto essa declaração de vontade. Nessa declaração, colocou o médico dele como responsável por decidir as coisas e não eu, porque ele me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim. Eu já estava pronta pra ficar com o Lito 20 anos na cadeira de rodas, fosse como fosse. Eu mandei adaptar toda a casa, aumentar as passagens pra ele poder ir de cadeira de rodas. Foi tudo pensado“, garantiu.
Mila explicou que, apesar de estar disposta a acompanhar o marido em qualquer condição, algumas intervenções médicas não faziam parte dos desejos dele. “Só que tinha algumas coisas que ele não queria. Uma delas é que ele não topava era ser entubado e não queria ficar em estado vegetativo. Ele falou: ‘Eu só topo passar a sonda de alimentação se for pra esperar o remédio’. Nisso que passou, ele começou a perder essa questão de engolir saliva, engolir comida e tudo mais. Quando isso começou a acontecer, se instalou um quadro que se começa a aspirar a própria saliva”, detalhou.
Família não poupou recursos durante o tratamento
Na entrevista, a viúva afirmou que todas as alternativas disponíveis foram consideradas para tentar preservar a saúde de Lito. Segundo ela, os cuidados envolveram investimentos financeiros e diferentes recursos médicos.
“Tudo que existia no mundo foi dado pra ele. A gente não poupou nenhum recurso financeiro. Sem nenhum tipo de ‘isso vai ser muito complicado’ ou ‘isso é muito caro’”, enumerou.
Mila relatou que, na semana anterior à morte, o marido começou a apresentar dificuldades respiratórias. Após a realização de exames, os médicos identificaram uma pneumonia e prescreveram antibióticos. A expectativa era de melhora em aproximadamente dois dias. Caso o tratamento não apresentasse resultado, a possibilidade de intubação seria considerada, mas a medida contrariava a vontade previamente expressada por Lito.
“Não é porque é muito agressivo, é porque não ia ter reversão do quadro. Naquela situação dele, não tinha como reverter. Seria manter ele vivo artificialmente por mais um ano, não sei. A gente não tem controle sobre isso. Mas ele ficaria com sonda, com tubo, sedado… não estaria aqui. E isso era uma situação que ele não queria“, disse.
Tratamento não apresentou o resultado esperado
De acordo com Mila, o organismo de Lito não respondeu à medicação e os níveis de oxigenação começaram a diminuir. Como a intubação não estava de acordo com as orientações deixadas pelo influenciador, a equipe médica seguiu com os cuidados paliativos.
“Esse momento, pra mim, de tudo foi o mais difícil. Hoje eles levam muito a sério a declaração que se chama testamento vital. É o que você quer que façam em vida. Quando você ainda tem um nível de consciência, você pode definir algumas coisas. Foi um momento crítico”, recordou.
A empresária também explicou como foi preparada a mensagem em vídeo que comunicou a morte do marido. Segundo ela, a iniciativa partiu de um pedido feito pelo próprio Lito, que desejava uma despedida cuidadosa e sem imagens da esposa chorando.
“Eu escrevi o texto na noite do dia 29 porque eu já sabia que tinha pouco tempo. E isso era uma recomendação que ele tinha. Ele falou: ‘Eu quero que você comunique de uma forma bonita. Não vai aparecer você chorando. Faz um vídeo estilo o Aviões e Músicas’. Então eu chamei uma amiga minha jornalista, e a gente escreveu. Eu gravei umas 50 vezes o áudio, e a gente fez uma seleção de imagens para contar a história dele de uma forma poética”, pontuou.
Viúva relembra despedida de Lito Souza
Mila contou que o marido permaneceu vivo por quase 72 horas depois do início dos cuidados paliativos. Ela atribuiu esse período à resistência física de Lito, que, apesar da gravidade da doença, tinha um coração saudável.
“O coração dele era muito, muito forte. Ele era um cara saudável, então o coração estava ali resistindo”, desabafou.
Ao recordar os instantes finais, a empresária revelou que pediu ao melhor amigo de Lito, que também é padrinho do filho do casal, que permanecesse ao lado dele. Embora tenha acompanhado o marido durante praticamente todo o período, ela não conseguiu ficar presente até o último segundo.
“Nos últimos segundos dele, eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas ali no final, não consegui”, declarou, emocionada.
