Grávida de seis meses quando sofreu uma grave complicação de saúde em fevereiro, Adriana Smith foi mantida artificialmente viva por quase três meses para que o bebê pudesse se desenvolver, mesmo após a constatação da morte cerebral. O caso aconteceu na Geórgia, nos Estados Unidos.
Na última sexta-feira (13), os médicos realizaram uma cesariana de emergência. O bebê, chamado Chance, nasceu prematuro, pesando pouco mais de 800 gramas, e segue internado na UTI neonatal. A previsão é que nesta terça-feira (17), quatro dias após o parto, Adriana seja oficialmente desconectada dos aparelhos que a mantinham respirando.

“É difícil de processar. Eu sou mãe dela. Não deveria estar enterrando minha filha. Minha filha é quem deveria me enterrar”, desabafou April Newkirk, mãe de Adriana.
Além do recém-nascido, Adriana deixa também um filho de 7 anos. “Ele pode ser cego, não conseguir andar ou até mesmo enfrentar dificuldades para sobreviver”, disse April, falando sobre as possíveis sequelas causadas pelo nascimento prematuro.
Lei antiaborto
A chamada LIFE Act, a lei antiaborto vigente na Geórgia, proíbe a interrupção da gravidez assim que são detectados batimentos cardíacos fetais, o que pode acontecer já na sexta semana de gestação. A legislação, no entanto, não trata especificamente de situações de morte cerebral da gestante, como ocorreu com Adriana.
Durante o período em que a filha esteve em suporte de vida, a família expressou publicamente sua oposição à continuidade da gestação nas condições em que ela se deu. Mas, sob a interpretação atual da lei, os médicos optaram por manter Adriana nos aparelhos.
