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Fiocruz vai produzir medicamento similar ao Ozempic; saiba detalhes

Acordo prevê transferência de tecnologia para fabricação nacional de liraglutida e semaglutida, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2
Fiocruz vai produzir medicamento similar ao Ozempic; saiba detalhes

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), anunciou uma parceria com a farmacêutica EMS para viabilizar a produção nacional de medicamentos com os princípios ativos liraglutida e semaglutida. Esses compostos são os mesmos presentes em remédios já conhecidos como Saxenda, Ozempic e Wegovy, utilizados para o tratamento de diabetes tipo 2 e também para auxiliar na perda de peso.

O acordo estabelece a transferência da tecnologia necessária para a fabricação tanto do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) quanto dos medicamentos prontos, com a EMS sendo responsável pelo processo inicial. Até que Farmanguinhos esteja apto a realizar a produção integralmente em seu complexo no Rio de Janeiro, os fármacos serão fabricados pela EMS em sua unidade em Hortolândia, interior de São Paulo.

A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, afirmou que “a liraglutida e a semaglutida inauguram a estratégia da Fiocruz de se preparar também para a produção de medicamentos injetáveis, com a possibilidade de incorporação de uma nova forma farmacêutica”, e destacou que esse acordo representa “mais uma ação para fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde”.

O anúncio foi feito durante a terceira edição do Fórum Saúde, realizado em Brasília, promovido pela EMS em parceria com o think tank Esfera Brasil. O evento contou com a presença de autoridades como Silvia Santos, a vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, o presidente da EMS, Carlos Sanchez, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Na ocasião, Padilha reiterou que, caso os medicamentos apresentem custo-benefício satisfatório, poderão ser incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ele afirmou que a produção em instituição pública reduz o custo para o governo e facilita a ampliação do acesso. Para isso, no entanto, os medicamentos devem ser avaliados e aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Após o evento, o ministro publicou nas redes sociais que se trata de “um grande acordo” e informou que a Anvisa fará um chamado público para incentivar outras empresas com produtos semelhantes a registrarem suas versões. O objetivo, segundo ele, é ampliar a concorrência e fortalecer a produção nacional.

Fim da patente abre espaço para versões nacionais

A liraglutida e a semaglutida pertencem à classe dos análogos de GLP-1, que imitam a ação de um hormônio responsável por estimular a produção de insulina no pâncreas e provocar sensação de saciedade no cérebro e no sistema digestivo. Essa combinação contribui para o controle do diabetes e a redução do peso corporal.

O primeiro desses medicamentos a ser aprovado no Brasil foi a liraglutida, usada no Saxenda (para obesidade) e no Victoza (para diabetes). Estudos demonstraram que o tratamento com o remédio levou a uma perda média de 8% do peso corporal em 56 semanas. Embora eficaz, ele exige aplicação diária e apresentava efeitos colaterais mais comuns que os fármacos mais recentes.

Com o tempo, chegou ao mercado a semaglutida, presente no Ozempic (para diabetes) e no Wegovy (para emagrecimento), que se mostrou ainda mais eficaz, com perda de peso de até 17,4% em 68 semanas, além de exigir apenas uma injeção semanal.

Em março, a patente da liraglutida expirou no Brasil, liberando o caminho para genéricos e similares. A EMS lançou, neste cenário, a Olire, primeira caneta de emagrecimento nacional. Já a patente da semaglutida está prevista para terminar em março do próximo ano, o que tem levado outros laboratórios a se anteciparem, como é o caso da própria EMS e agora da Fiocruz.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelo desenvolvimento das duas moléculas, tenta judicialmente estender a validade da patente da semaglutida. No entanto, já sofreu derrotas em primeira e segunda instâncias. O processo está atualmente em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

alfinetei

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