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Ministério da Saúde barra inclusão do Ozempic e similares no SUS; veja VÍDEO

Caneta (foto Reprodução Redes Sociais)

Caneta (foto Reprodução Redes Sociais)

Na última quarta-feira (21), a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) negou a incorporação dos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão resulta do alto custo das medicações e da avaliação de alternativas já disponíveis, como a cirurgia bariátrica. As informações são do g1.

A Conitec analisou dois pedidos específicos: o uso da semaglutida, solicitado pela farmacêutica Novo Nordisk para pacientes com obesidade grau II e III, acima de 45 anos e com doença cardiovascular, presente em canetas como Wegovy; e o uso da liraglutida para pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, disponível em dispositivos como Saxenda. Ambos os medicamentos possuem aprovação no Brasil e têm preço estimado de R$ 1 mil por caneta.

Avaliação técnica e impacto financeiro

Durante a análise, a comissão destacou o impacto orçamentário da incorporação. Relatórios do Ministério da Saúde indicam que o custo para atender à demanda de pacientes no SUS poderia alcançar R$ 4,1 bilhões em cinco anos, chegando a R$ 6 bilhões em tratamentos contínuos. A necessidade de manutenção prolongada do uso dos medicamentos reforçou a decisão de não incluí-los no sistema público, mantendo-os restritos à rede privada.

A decisão ocorre semanas após o Ministério da Saúde anunciar parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS para produzir canetas brasileiras com liraglutida e semaglutida. A EMS lançou recentemente a Olire, caneta destinada ao tratamento da obesidade e diabetes, semelhante a produtos internacionais como Ozempic e Wegovy.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) demonstrou preocupação com a decisão. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e membro da ABESO, afirmou: “É uma pena, porque o SUS deixa de oferecer um tratamento que poderia melhorar a evolução de doenças crônicas graves, como obesidade e diabetes, que estão ligadas a problemas cardiovasculares, inflamações, tromboses e até AVCs”.

Barca também destacou que os medicamentos à base de liraglutida e semaglutida proporcionam efeitos além da redução de peso, incluindo diminuição da inflamação, melhora da gordura no fígado e impacto positivo na cognição de pacientes com Alzheimer. Segundo a especialista, a falta de acesso a esses tratamentos no SUS pode gerar custos ainda maiores com complicações graves, como cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante.

Medicamentos atualmente disponíveis no SUS oferecem alternativas limitadas. A sibutramina, mais acessível, é contraindicada para pacientes com doenças cardiovasculares, enquanto outras opções apresentam custos elevados, obrigando pacientes a arcar com despesas particulares.

A farmacêutica Novo Nordisk afirmou em nota que “compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população em nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas”.

A empresa reforçou que a Conitec reconhece o Wegovy como uma tecnologia inovadora, segura, eficaz e custo-efetiva, e que o pedido de incorporação solicitava exclusivamente o Wegovy, sem incluir o Ozempic no SUS.

Veja o vídeo:

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