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Pix e parcelamento influenciam compras fora do Brasil; ENTENDA

Com quase 44 bilhões de transações via Pix no primeiro semestre de 2026, segundo o Banco Central
Pix (foto Reprodução Redes Sociais)

Pix (foto Reprodução Redes Sociais)

De acordo com as estatísticas oficiais do Banco Central do Brasil (BC), o Pix finalizou o primeiro semestre de 2026 com aproximadamente 44 bilhões de transações. O volume confirma um padrão de consumo que mescla pagamentos instantâneos com a prática de parcelar compras no cartão de crédito, uma combinação pouco usual em outros países e que demanda atenção das empresas estrangeiras que desejam atender o mercado brasileiro.

Pedro Souza, fundador da Glin, plataforma de pagamentos internacionais que permite a companhias sediadas no exterior receberem de clientes brasileiros via Pix e cartão parcelado, avalia que esse cenário pede uma leitura própria. “O Brasil construiu, em poucos anos, um padrão de pagamento que não existe em quase nenhum outro lugar. De um lado, o Pix: instantâneo, gratuito para a pessoa física, usado por cerca de 80% da população e disponível 24 horas por dia. De outro, uma cultura de parcelamento no cartão de crédito que é praticamente única no mundo”, diz.

Segundo o executivo, nos Estados Unidos e na Europa, a compra online costuma ser concluída com cartão de débito ou crédito à vista, lógica que orienta o desenho dos checkouts internacionais. “Quando uma empresa de fora traz esse checkout para o Brasil sem adaptar, ela esbarra em duas realidades: a maioria dos brasileiros não tem cartão internacional, e quem tem espera poder parcelar. O resultado é que o cliente chega até o pagamento e desiste. Por isso a análise precisa ser outra”, explica. Para ele, a dúvida central deixa de ser qual bandeira aceitar e passa a ser como esse consumidor já paga no dia a dia.

Quantidade e valor revelam usos distintos

Com base nos dados do BC, Souza calcula cerca de 387 milhões de TEDs (Transferências Eletrônicas Disponíveis) no semestre, ou seja, foram realizados mais de cem pagamentos via Pix para cada TED registrada no período. Em valor, porém, a ordem se inverte: somente em maio, a TED movimentou cerca de R$ 3,8 trilhões, em comparação aos R$ 3,5 trilhões do Pix. “O Pix lidera em quantidade porque virou o meio de pagamento do cotidiano: a padaria, a assinatura, a compra no celular. São muitas operações de valor pequeno ou médio, feitas por pessoas físicas. A TED lidera em valor porque concentra o dinheiro grande: transferências entre empresas, operações financeiras, imóveis, tesouraria”, analisa.

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