Nesta quinta-feira (9), um estudo internacional publicado na revista Lancet Psychiatry revelou que pessoas com transtornos mentais graves vivem entre 13 e 20 anos a menos do que o restante da população. A redução está ligada a fatores físicos preveníveis, como tabagismo, alimentação inadequada, distúrbios do sono e sedentarismo.
De acordo com o professor Miguel Gutiérrez, da Universidade del Rosario, na Colômbia, cerca de 70% das mortes entre pacientes psiquiátricos resultam de doenças físicas. O pesquisador explicou que o objetivo do estudo foi identificar práticas acessíveis que possam ser aplicadas em países com menos recursos, de forma a reduzir essa perda de anos de vida.

Pesquisa destaca importância de hábitos saudáveis e redes comunitárias
A investigação reuniu dados de 89 estudos e 18 meta-análises com a participação de especialistas de 12 países, entre eles Brasil, Egito, Nigéria e Índia. O relatório propõe quatro ações de baixo custo para melhorar a qualidade de vida desses pacientes: incentivo à atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e melhora da qualidade do sono.
As recomendações também envolvem a inclusão de familiares no acompanhamento médico desde o diagnóstico. Segundo Gutiérrez, o apoio deve incluir monitoramento da saúde física antes do início do tratamento medicamentoso e avaliações regulares durante o processo terapêutico.
O estudo sugere que países de baixa renda utilizem recursos locais, como líderes comunitários, espaços públicos e redes de apoio, para promover hábitos saudáveis de forma sustentável. Gutiérrez concluiu que cuidar da saúde física de pessoas com transtornos mentais é essencial para reduzir a desigualdade na expectativa de vida e garantir mais qualidade ao tempo vivido.
