A proposta de Donald Trump chamada de “One, Big, Beautiful Bill”, em tramitação no Congresso americano, prevê a cobrança de uma taxa de 3,5% sobre o envio de dinheiro de imigrantes aos seus países de origem, mesmo para quem está legalmente empregado nos Estados Unidos. O projeto, já aprovado pela Câmara, ainda aguarda votação no Senado com prazo até 4 de julho, de acordo com o governo americano. As informações são da UOL.
O impacto pode ser direto na vida de milhares de brasileiros e suas respectivas famílias no Brasil, especialmente em cidades como Governador Valadares (MG), cidade em que a economia local depende fortemente das remessas do exterior. Segundo a Prefeitura, cerca de US$ 700 milhões circulam na cidade graças ao dinheiro enviado por conterrâneos que vivem nos EUA.





O Banco Central estima que brasileiros que trabalham nos Estados Unidos remeteram cerca de US$ 2 bilhões ao Brasil em 2023, valor que representa metade de todas as remessas internacionais recebidas por brasileiros naquele ano.
Medo de deportações limita envio de dinheiro ao Brasil
A medida de Trump contra a imigração ilegal tem dificultado a vida de quem mora nos EUA em situação irregular. A brasileira Cátia, que trabalha em um bar na região de Miami, revelou que tem evitado sair de casa em dias de operações migratórias. “Mas quando há operação das autoridades, eu não saio de casa. E não recebo naquele dia ou semana. A prioridade agora é pagar as contas aqui”, disse.
O impacto é ainda mais sensível em países da América Central. Enquanto as remessas representam 0,2% do PIB brasileiro, em países como El Salvador, elas chegam a 24% do Produto Interno Bruto, índice semelhante ao de Honduras e Nicarágua. Na América Latina como um todo, as remessas somam 2,5% do PIB, com US$ 161 bilhões enviados em 2024, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Caso seja aprovada, a taxa de 3,5% imposta por Trump pode afetar a economia de comunidades inteiras que dependem desse apoio financeiro do exterior.
