O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, em relação ao financiamento do filme Dark Horse.
A apuração busca esclarecer a origem e a destinação de R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção da obra. De acordo com a investigação, os valores teriam sido transferidos a pedido de Flávio Bolsonaro. Uma das linhas investigativas considera a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizada para financiar atividades criminosas atribuídas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
PF investiga possível lavagem de dinheiro e outros crimes
O pedido para instaurar a investigação partiu da Polícia Federal e contou com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). No documento, Mendonça autorizou a abertura de um procedimento vinculado ao inquérito 5026 para apurar as suspeitas apresentadas pelos investigadores.
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça no documento que teve sigilo retirado na quinta-feira (10/9).
Também nesta semana, o gabinete de André Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele é proprietário da Entre Investimentos e Participações, empresa que, segundo os investigadores, teria participado da operação financeira relacionada ao filme.
A suspeita é de que a companhia tenha sido utilizada para receber os recursos enviados por Vorcaro com a finalidade de viabilizar a produção da cinebiografia.
O caso ainda é alvo de uma segunda investigação no Supremo Tribunal Federal. Na quinta-feira (10/9), o ministro Flávio Dino autorizou o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em uma operação que apura um suposto esquema envolvendo o desvio de emendas parlamentares.
Entre os investigados estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment.
