Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, defendeu nesta sexta-feira (11/9) que sejam retirados os sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master. A declaração ocorreu após vir à tona que o senador é alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades ligadas ao financiamento de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Durante entrevista concedida em Manaus (AM), Flávio negou qualquer irregularidade e afirmou que não recebeu recursos pessoalmente. Segundo ele, o dinheiro teria sido destinado exclusivamente à produção do longa. O senador também declarou apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por autorizar a abertura do inquérito, e defendeu uma apuração contra o ministro Flávio Dino por uma suposta interferência eleitoral.
“Eu peço ao ministro André Mendonça: abra os sigilos, tira o sigilo de tudo, mostra tudo pro povo”, afirmou durante entrevista em Manaus (AM).
Senador cita outras investigações e cobra divulgação de informações
Flávio Bolsonaro afirmou que a abertura dos dados não deveria se limitar ao caso envolvendo sua participação no financiamento de Dark Horse. Ele defendeu que o mesmo princípio seja aplicado a outras investigações em andamento, citando o Banco Master, suspeitas de fraude na Previdência, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e pessoas ligadas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu quero transparência para tudo”, declarou. “Todo mundo tem que ter transparência sobre esse assunto”, acrescentou o senador.
A existência da investigação envolvendo Flávio se tornou pública nesta sexta-feira, depois que André Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master, atendendo a uma solicitação do presidente do STF, Edson Fachin. A apuração havia sido autorizada pelo ministro em julho, após solicitação da Polícia Federal.
Os investigadores apuram possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outras irregularidades que poderiam estar relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Entre os pontos analisados estão os repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para viabilizar a produção.
De acordo com a investigação, Flávio Bolsonaro teria atuado como “interlocutor direto” com Vorcaro para buscar recursos destinados ao longa. O banqueiro teria encaminhado R$ 61 milhões para a obra por meio de um fundo localizado nos Estados Unidos.
Durante a entrevista, o senador voltou a afirmar que a publicação completa dos documentos seria suficiente para esclarecer sua atuação no episódio.
“Para mim a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total nesse assunto”, afirmou.
Flávio também criticou Flávio Dino e a Polícia Federal, à qual se referiu como “Polícia Federal do Lula”. Na avaliação do senador, conversas usadas na investigação estariam sendo interpretadas de maneira equivocada, já que, segundo ele, os diálogos apenas demonstrariam sua tentativa de encontrar investidores interessados no filme.
O candidato também negou ter recebido dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro. Ele afirmou que os valores foram direcionados à produção cinematográfica.
“Não tem um real, não tem nada pro Flávio, tem um patrocínio para um filme privado”, disse.
Segundo Flávio, a busca por investidores para o projeto começou em janeiro de 2025. O senador argumentou ainda que sua posição como integrante da oposição ao governo Lula impediria qualquer possibilidade de oferecer vantagens políticas ao empresário.
“O que é que eu, como senador, podia dar em contrapartida aí? Nada. Não existe contrapartida, não existe contrapartida”, disse Flávio Bolsonaro.
As declarações contra Flávio Dino estão relacionadas a uma segunda investigação envolvendo Dark Horse. Nesse caso, o ministro é responsável pelo inquérito que apura a possibilidade de recursos provenientes de emendas parlamentares terem sido utilizados pela Go Up Entertainment para financiar o filme.
A Polícia Federal realizou operações de busca e apreensão nessa investigação na quinta-feira (10/9). Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora responsável pelo longa.
Flávio afirmou que os agentes não encontraram irregularidades durante a operação e alegou que documentos da empresa já estavam sob posse das autoridades. O senador também disse que, durante as buscas, teria sido localizado um documento relatando supostas ameaças contra Karina atribuídas a pessoas ligadas a Dino e Lula.
O senador usou essa alegação para pedir que Dino seja investigado por suposta interferência no processo eleitoral.
“Eu estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nessa investigação, para que parem de tomar decisões tentando interferir nas eleições”, afirmou.
Por fim, Flávio Bolsonaro questionou a divulgação de sua condição de investigado neste momento. Ele destacou que o inquérito foi autorizado em julho e relacionou a publicidade dada ao caso ao desempenho que diz ter obtido recentemente nas pesquisas eleitorais.
“Por que que agora, imediatamente após a gente ultrapassar rapidamente o Lula nas pesquisas, eles tentam criar um fato pra jogar essa cortina de fumaça?”, questionou.
