Na sexta-feira (28/8), Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, declarou que um acordo de petróleo foi estabelecido entre os EUA e Venezuela. O republicano afirmou na plataforma Truth Social que o acordo assegura o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas de petróleo comprovadas na Venezuela, sem custo algum para o contribuinte americano.
Trump disse que os termos foram acordados pelo secretário de Estado, Marco Rubio e pelo secretário de Defesa, Pete Hegset, “trabalhando em estreita colaboração com a respeitadíssima presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez”.




Trump disse que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Também pelas redes sociais, Rubio afirmou que o acordo demonstra que a política externa do governo Trump serve para garantir reservas estáveis, petróleo de baixo custo no hemisfério e reduz “os preços da gasolina aqui em casa”.
“Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela”, afirmou.
Na quinta-feira (27/8), o site Axios já havia revelado que o governo Trump negociava com a gestão interina de Delcy Rodríguez uma participação americana em campos de petróleo venezuelanos. Segundo a reportagem, as conversas envolviam mais de uma dúzia de campos, com cerca de 90 bilhões de barris em reservas comprovadas, e eram lideradas por Rubio e Delcy.
Dimensão
A dimensão do acordo ganha relevância diante do tamanho das reservas venezuelanas. Segundo a Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês), a Venezuela tinha cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% das reservas mundiais e o maior volume de qualquer país.
A abundância de petróleo no subsolo, porém, contrasta com a capacidade de produção do país. Apesar de concentrar 17% das reservas globais, a Venezuela respondia por apenas 0,8% da produção mundial em 2023.
Grande parte das reservas está na faixa do Orinoco e é composta por petróleo extrapesado, cuja extração exige maior capacidade técnica e investimentos. Segundo a EIA, sanções internacionais, restrições orçamentárias da estatal PDVSA, falta de profissionais qualificados e baixo investimento estrangeiro também prejudicaram o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás venezuelana.
Analistas afirmaram que precisavam conhecer mais detalhes sobre a estrutura jurídica e financeira do acordo antes de avaliar se ele seria capaz de atrair investimentos significativos.
Não estava claro se o acordo conseguiria reduzir os preços da gasolina no curto prazo, uma vez que o desenvolvimento da infraestrutura necessária para produzir, transportar e refinar o petróleo pesado da Venezuela poderia levar anos.
